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terça-feira, 22 de março de 2016



Canção da Primavera


(Para Érico Veríssimo)



Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Cata-vento enlouqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do cata-vento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!


Mário Quintana; Canções, 1946



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016



No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



O SONO

O sono é uma viagem noturna.
O corpo – horizontal – no escuro
E no silêncio do trem avança.
Impercetivelmente
Avança. Apenas
O relógio picota a passagem do trem.
Sonha a alma deitada em seu ataúde:
Lá longe
Lá fora
(Ela sabe!)
Lá no fundo do túnel
Há uma estação de chegada
- anunciam-na os galos, agora –
Com a sua tabuleta ainda toda húmida de orvalho,
Há uma estação chamada
AURORA.

 Mário Quintana in: Preparativos de Via

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


O AUTORRETRATO

 No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
 às vezes me pinto árvore...
 às vezes me pinto coisas
 de que nem há mais lembrança...
 ou coisas que não existem
 mas que um dia existirão...
 e, desta lida, em que busco
 - pouco a pouco -
 minha eterna semelhança,
 no final, que restará?
 Um desenho de criança...
 Terminado por um louco!

Mário Quintana, Apontamentos de História Sobrenatural (1976)