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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

O QUE É O AMOR?

 


 

O amor é quando tens família que te ama e fazes coisas com eles,

Quando brincas e partilhas as coisas com os teus irmãos,

Quando te orgulhas de ti própria pelas coisas que fazes.

O amor é tudo o que valorizas.

É quando partilhas o último torresmo com o teu pai,

Quando vestes as roupas da tua mãe e ela as tuas.

É quando fazes reuniões de peluches com a tua irmã,

E quando o teu irmão pede para brincares com ele porque está sozinho.

O amor é quando vês tios, tias e primas emprestados, quando lhes dás um abraço.

Quando ficas feliz pelas boas notas.

E quando ficas orgulhosa por ajudar os outros.

O amor é quando os outros demonstram amor por ti. 

Inês Santos, 6ºG

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Quero apenas cinco coisas

 

       Imagem: Chagall (1915)

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

nascer a 6 de novembro

Faria amanhã 93 anos aquela que tão bem transmutava a realidade material em realidade poética. Com ela habitava a sensação perfeita do mundo purificado, com ela nascia outro mundo, outro universo. Era a realidade feita poesia!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Não nos sentimos presos
Senão com pensarmos nisso,
Por isso não pensemos
E deixemo-nos crer
Na inteira liberdade
Que é a ilusão que agora
Nos torna iguais dos deuses.

Ricardo Reis, in "Odes"

segunda-feira, 4 de junho de 2012


Poema Pial não tem final!

No dia 28 de maio escutou-se Fernando Pessoa na biblioteca da escola da estação.
Os alunos do 3º ano vieram à biblioteca escutar o Poema Pial. Estava muito calor, por isso ninguém tinha as mãos frias mas todos quiseram metê-las nas… pias.


POEMA PIAL
Toda a gente que tem as mãos frias
Deve metê-las dentro das pias.

Pia número UM
Para quem mexe as orelhas em jejum.

Pia número DOIS,
Para quem bebe bifes de bois.

Pia número TRÊS,
Para quem espirra só meia vez.

Pia número QUATRO,
Para quem manda as ventas ao teatro.

Pia número CINCO,
Para quem come a chave do trinco.

Pia número SEIS,
Para quem se penteia com bolos-reis

Pia número SETE,
Para quem canta até que o telhado se derrete.

Pia número OITO,
Para quem parte nozes quando é afoito.

Pia número NOVE,
Para quem se parece com uma couve.

Pia número DEZ,
Para quem cola selos nas unhas dos pés.

E, como as mãos já não estão frias,
Tampa nas pias!

                                                       Fernando Pessoa
Depois de se divertirem com os versos do poeta, foi a vez de cada aluno escrever os seus. No final, ilustraram os versos e leram-nos aos colegas.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

EU SEI UM SEGREDO

No próximo dia 28 de maio, estarão na nossa escola os autores do livro " EU SEI UM SEGREDO". Comparece no auditório da escola e ficarás a saber o segredo que têm para nós...

Eu sei um segredo” é um  livro de poesia, escrito por José Guedes, professor de Língua Portuguesa, e conta com ilustrações da professora Carla Mourão, docente de Educação Visual. A obra, publicada pela Editora Estratégias Criativas, e dedicada ao público infanto-juvenil, é composta por dez segredos/poemas/histórias.

sábado, 5 de maio de 2012

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

domingo, 25 de março de 2012

Minha culpa

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
FLORBELA ESPANCA 

                          Florbela Espanca

quinta-feira, 8 de março de 2012

a mulher mais bonita do mundo


A Mulher Mais Bonita do Mundo
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Eugénio de Andrade- 19/01/1923 - 13/06/2005


NO BRILHO REDONDO

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.

sábado, 10 de dezembro de 2011

zona letal, espaço vital
















No passado dia 22 de novembro, a turma B do 6º ano teve o privilégio de visitar a exposição patente no Palácio da Galeria -"Zona letal, espaço vital" e participar na atividade "Poesia japonesa haiku e haicai". Depois de uma breve introdução à poesia japonesa e a partir dos haikus e haicai dos poetas
Bashô, Busson, Issa e Shiki, os alunos, munidos de tinta da china e de um pincel chinês, transportaram livremente para o papel o que iam ouvindo dos poemas, criados a um ritmo pausado,de modo a sugerir uma narrativa possível de ser ilustrada.
A poesia japonesa tem uma forma própria de ser escrita. Na sua língua original, tratam-se sempre de três versos, o primeiro com cinco sílabas, o segundo com sete sílabas e o terceiro com cinco sílabas novamente. O haiku foi inventado há centenas de anos no Japão e é a forma poética mais reduzida do mundo.Este pequeno poema pode descrever sentimentos importantes que nós temos pelo que nos rodeia, acerca da natureza, dos animais, das cores, das estações do ano num
local e período de tempo específico. Por exemplo, falar de uma cascata no fim do Inverno quando derretem as primeiras neves. Esta poesia fala dos contrastes que existem na natureza, sentimentos acerca de um assunto ou objeto, emoções que incluem felicidade, tristeza, solidão,
alegria, medo, esperança, surpresa, fascínio, coragem... esta poesia expressa
um sentimento e muitas vezes contém uma surpresa.
Todas estas emoções podem ser transpostas para o desenho, relacionando-o com a escrita.

No Inverno, à chuva,
e nem sequer um chapéu -
pois é! Ora, ora!

Acendes o fogo;
vou mostrar-te esta beleza:
uma bola de neve!

Varrendo o jardim,
a neve ficou esquecida
pela vassoura.

Lua cheia, Outono
caminhei a noite inteira
ao redor do lago.

As primeiras chuvas
o macaco também quer
um manto de palha.

Acender a vela
pegando numa outra vela;
noite de Primavera.

Brilha um relâmpago!
O som das gotas caindo
por sobre os bambus.

Torna-se a raposa
num belo principezinho;
noite de Primavera.

No fundo do tanque
mergulhou uma sandália;
saraiva caindo.

A vaca aparece
emergindo da neblina
Muu! Muu!

Ó caracol, vai
subindo o Monte Fuji
lento, lento, vai!

Ao bater na mosca,
acabei por acertar
numa planta em flor.

As nuvens vagueiam;
uma formiga a subir
para a pedra negra.

Eis o velho tanque;
uma rã salta e mergulha
o baque na água.

A tesoura hesita
ante o alvo crisântemo
por um só momento.

Saindo da caixa,
eis estas duas bonecas:
como as pude esquecer?

Podia comê-la
aquela neve a cair
tão leve, tão leve!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

poemas ilustrados












Quando as palavras despertam imagens…

Muito mais que uma ornamentação das palavras, a ilustração representa, descreve, expressa o que os nossos olhos leem, sugerindo que escrever e ler pode ser uma divertida brincadeira... O desafio foi lançado ao 6ºB, que desenharam excertos de poemas de autores portugueses. Uma maneira diferente de aprender poesia...


domingo, 18 de setembro de 2011

POEMA


De tarde, no campo, nenhum pássaro cantou;
e só neste fim de dia um vento traz o assobio
da primavera melancólica: despedidas,
imagens breves, nenhuma inspiração. O sopro nocturno,
porém, anuncia um reflexo de espelho no fundo
do corredor. A voz surge de um dos quartos
em que a ausência se perde. Um baço
murmúrio se aproxima do gemido que evoca
o mar - sem que a onda se decida, quebrando
o som agonizante. Então, abro a porta
e chamo-te; sabendo que só a noite me responderá.

Nuno Júdice, in «Poesia Reunida 1967 -2000»,

domingo, 11 de setembro de 2011

A viagem começa amanhã...


Que voz é essa
que vem da floresta
e não do meu coração?

Pois os pássaros não cantam apenas
na minha imaginação?

Existem em cor e penas
na realidade desta canção
de mim tão alheia?

Ó pássaro autêntico,
volta a ser ideia.
JOSÉ GOMES FERREIRA

terça-feira, 6 de setembro de 2011

NA BIBLIOTECA




O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras

diante do poema, que chega sempre
demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.



MANUEL ANTÓNIO PINA
Cuidados intensivos

segunda-feira, 25 de julho de 2011

já não é possível


Já tudo é tudo. A perfeição dos
deuses digere o próprio estômago.
O rio da morte corre para a nascente.
O que é feito das palavras senão as palavras?

O que é feito de nós senão
as palavras que nos fazem
Todas as coisas são perfeitas de
Nós até ao infinito, somos pois divinos.

Já não é possível dizer mais nada
mas também não é possível ficar calado.
Eis o verdadeiro rosto do poema.
Assim seja feito a mais e a menos.


manuel antónio pina
ainda não é o fim
nem o princípio do mundo
calma
é apenas um pouco tarde
erva daninha

1982

quarta-feira, 20 de julho de 2011

mar dentro de folhas




Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso, solitário e antigo,
Parece bater palmas.

Sophia de Mello Breyner

Meio-Dia, p. 11

terça-feira, 5 de julho de 2011

Fernanda de Castro por Maria Lencastre



No dia 21 de Maio, no auditório da EB D. Manuel I, realizou-se o Concurso de Poesia Declamada. Numa competição com um número considerável de participantes, bem como de assistentes, os concorrentes surpreenderam todos os presentes pela qualidade apresentada, nesta actividade organizada pelo Grupo Disciplinar de Língua Portuguesa (3.º ciclo).
A vencedora foi a aluna Maria Lencastre (7ºD), que declamou um belíssimo poema de Fernanda de Castro.

domingo, 19 de junho de 2011

comparar-te a um dia de Verão

Comparar-te a um dia de Verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
Um Maio em flor às mãos do furacão,
O foral do Verão que chega ao fim.

Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
Outras, desfaz-se a compleição doirada,
Perde beleza a beleza; e o que perdeu
Vai no acaso, na natureza, em nada.

Mas juro-te que o teu humano Verão
Será eterno; sempre crescerás
Indiferente ao tempo na canção;

E, na canção sem morte, viverás;
Porque o mundo, que vê e que respira,
Te verá respirar na minha lira"

William Shakespeare, in "SONETOS"