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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014



COM FÚRIA E RAIVA


Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"


quarta-feira, 6 de novembro de 2013



Comemora-se hoje o aniversário do nascimento de Sophia de Mello Breyner.  Aqui fica a homenagem que lhe é prestada no Canto das Palavras.


Porque os outros se mascaram mas tu não
 Porque os outros usam a virtude
 Para comprar o que não tem perdão.
 Porque os outros têm medo mas tu não.
 Porque os outros são os túmulos caiados
 Onde germina calada a podridão.
 Porque os outros se calam mas tu não.

 Porque os outros se compram e se vendem
 E os seus gestos dão sempre dividendo.
 Porque os outros são hábeis mas tu não.

 Porque os outros vão à sombra dos abrigos
 E tu vais de mãos dadas com os perigos.
 Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen




AS AMORAS

 O meu país sabe a amoras bravas
 no verão.
 Ninguém ignora que não é grande,
 nem inteligente, nem elegante o meu país,
 mas tem esta voz doce
 de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
 Raramente falei do meu país, talvez
 nem goste dele, mas quando um amigo
 me traz amoras bravas
 os seus muros parecem-me brancos,
 reparo que também no meu país o céu é azul.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Após algumas semanas- a escolha foi mesmo difícil!- aqui divulgamos o nome da "artista" e o desenho vencedor do Concurso "Desenha a tua Fada", desafio lançado apenas aos alunos do 5ºano, que leram e analisaram a obra de Sophia de Mello Breyner: a menina chama-se Inês Martins ( 5ºC) e a "sua" Fada Oriana é este belo desenho
PARABÉNS, Inês! As professoras de português agradecem a colaboração de todos, principalmente dos alunos concorrentes...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

OS CIGANOS


Os Ciganos
Texto: Sophia de Mello Breyner Andresen e Pedro Sousa Tavares
Ilustração:Danuta Wojciechowska
Editora: Porto Editora
64 págs.
A parte inicial deste conto tem a assinatura de Sophia de Mello Breyner, foi descoberta por entre o seu espólio literário em 2009 e acredita-se, pela observação da caligrafia da autora, que date de meados dos anos 1960. Informações que a sua filha Maria partilha com os leitores numa nota prévia ao conto inédito Os Ciganos. Pedro, o neto de Sophia e sobrinho de Maria, teve “a ousadia” (palavras do próprio) de o completar. Fez bem (e fê-lo bem).

A história começa assim: “Era uma vez uma casa muito arrumada onde morava um rapaz muito desarrumado. E o rapaz tinha a impressão de que não era feito para morar naquela casa.” Um dia, “com o coração batendo, saltou o muro”. Descobriu os ciganos. Ainda que uma voz interior lhe repetisse “foge destes homens”, Ruy seguiu com eles. E é aqui que Sophia se cala.
Entra o neto, Pedro Sousa Tavares“Nesse instante, as pernas saltaram-lhe para a frente, como se o seu corpo fosse agora uma marioneta, obedecendo a alguma força superior. Tropeçou em cada buraco do caminho. Fez estalar cada galho seco no chão. Por milagre, ninguém se apercebeu da algazarra (…).” A descrição continua até que o rapaz se esconda na carroça e siga viagem. O protagonista há-de voltar a casa mais sábio e habilidoso, assim decidiu o co-autor. As palavras de uma e outro (avó e neto) são grafadas a cores diferentes, azul para Sophia, preto para Pedro. E este espera que o livro seja “lido como um todo”.  Uma nota para a ilustradora Danuta Wojciechowska, que ampliou e iluminou o sentido da narrativa. Com talento.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

nascer a 6 de novembro

Faria amanhã 93 anos aquela que tão bem transmutava a realidade material em realidade poética. Com ela habitava a sensação perfeita do mundo purificado, com ela nascia outro mundo, outro universo. Era a realidade feita poesia!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

mar dentro de folhas




Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso, solitário e antigo,
Parece bater palmas.

Sophia de Mello Breyner

Meio-Dia, p. 11

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A MENINA DO MAR

"A MENINA DO MAR" é um dos livros para crianças mais conhecido de Sophia de Mello Breyner Andresen. Faz parte do PLANO NACIONAL DE LEITURA , recomendado para o estudo no 5º ano de escolaridade. A turma C, do 5º ano, leu e analisou esta obra nas suas aulas de Língua Portuguesa. Aqui ficam algumas ilustrações de alunas dessa turma, que serão expostas na Biblioteca no 3ºperíodo. Ana Carina

Inês Horta

Analisa

domingo, 21 de março de 2010

DIA MUNDIAL DA POESIA


A Forma Justa
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"