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sábado, 21 de março de 2015



Os Versos que Te Fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"



segunda-feira, 4 de novembro de 2013




TARDE DE MAIS...

 Quando chegaste enfim, para te ver
 Abriu-se a noite em mágico luar;
 E para o som de teus passos conhecer
 Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

 Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
 Viu-se nessa hora o que não pode ser:
 Em plena noite, a noite iluminar
 E as pedras do caminho florescer!

 Beijando a areia de oiro dos desertos
 Procurara-te em vão! Braços abertos,
 Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

 E há cem anos que eu era nova e linda!...
 E a minha boca morta grita ainda:
 Por que chegaste tarde, ó meu Amor?!.


Florbela Espanca

domingo, 25 de março de 2012

Minha culpa

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
FLORBELA ESPANCA 

                          Florbela Espanca

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

uma estrela cadente


1894: No princípio da madrugada de 08 de dezembro, nasce, em Vila Viçosa (Alentejo), Florbela d’Alma da Conceição Espanca

1930: Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal.

Estrela Cadente

Traço de luz… lá vai! Lá vai! Morreu.
Do nosso amor me lembra a suavidade…
Da estrela não ficou nada no céu
Do nosso sonho em ti nem a saudade!


Pra onde iria a ’strela? Flor fugida
Ao ramalhete atado no infinito…
Que ilusão seguiria entontecida
A linda estrela de fulgir bendito?…


Aonde iria, aonde iria a flor?
(Talvez, quem sabe?… ai quem soubesse, amor!)
Se tu o vires minha bendita estrela


Alguma noite… Deves conhecê-lo!
Falo-te tanto nele!… Pois ao vê-lo
Dize-lhe assim: “Por que não pensas nela?”

Florbela Espanca