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domingo, 1 de maio de 2011

às mães, de todos



Quando Eu For Pequeno

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

recados da mãe


RECADOS DA MÃE, de Maria Teresa Maia Gonzalez

Acabaram de chegar novos livros a este canto...A leitura deste livro agradou já a muitos jovens deste país...Talvez a ti também!!! Atreve-te!

Clara e Leonor são duas irmãs que perderam a mãe com dez e seis anos, respectivamente. O pai, divorciado há muito tempo da falecida mãe, já não dá tanta atenção às duas irmãs. A inesperada visita da avó Matilde, que tinha cortado relações com a mãe revela-se cheia de surpresas e decisões.As duas irmãs acabam por ir viver com a avó, para desagrado da irmã mais velha, Clara, que se sente muito protectora em relação a Leonor.Um livro cheio de carinho, que retrata a força e amizade de duas irmãs.

domingo, 2 de maio de 2010

EU SAÍ DA MOLDURA...


(...)
-Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

EUGÉNIO DE ANDRADE