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quarta-feira, 15 de abril de 2015



ENTREI NO CAFÉ COM UM RIO NA ALGIBEIRA

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
José Gomes Ferreira

terça-feira, 5 de abril de 2011

a outra lógica


Descoberta da «outra» matemática

Ai o ponteiro da tortura

naquela sala

que a matemática tornava mais escura

em vez de iluminá-la.


Felizmente só o nada-de-mim ficava lá dentro.

O resto corria no pátio-em-que-nos-sonhamos

pássaro a aprender os cálculos do vento

aos saltos para os ramos.


Mas só quando voltava para casa à tardinha

encontrava a minha verdadeira matemática à espera

na lógica dura das teclas do piano,

no perfil-oiro-pedra da vizinha,

na flauta de água macia do tanque-

chuva de Mozart nos zincos da Primavera…


José Gomes Ferreira