quinta-feira, 12 de agosto de 2010

este é um fogo que arde e que se vê...


A propósito das árvores que por aí ardem, lembrei-me de "Horto de incêndio", de Al Berto, último livro de poesia publicado. O poeta morreria a 13 de Junho de 1997, no ano da sua publicação.

"A poesia tem-me levado ao despojamento daquilo que é lixo e me atrapalha a vida. Cada vez mais me parece que a poesia é a única linguagem capaz de atingir o rosto de um deus e feri-lo moralmente, nem que fosse por um milésimo de segundo"

Al Berto


In HABLAR/Falar de Poesia,nº1 - 1997

domingo, 1 de agosto de 2010

exibicionismo


exibicionismo

essa vontade
que eu tinha
de nas águas
te perder…
para depois
te pescar
à linha,
com muita
gente a ver.

Luís Pignatelli (1935-1993)

domingo, 25 de julho de 2010

vá a banhos e leve um livro


FEIRA DO LIVRO, EM TAVIRA

Decorre até dia 3 de Agosto, das 20h às 24h, no Jardim do Coreto, junto à Praça da Ribeira, mais uma edição da Feira do Livro. Aproveite e leve aquele livro que há muito tempo desejava ler, pois por lá abundam livros que já não se encontram nos circuitos normais...

domingo, 18 de julho de 2010

em tempo de "pic-nics"...


Naquele “pic-nic” de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


CESÁRIO VERDE - 1855/1886

UMA PRENDA BOA





A livraria Book-it, no Centro Comercial Gran Plaza de Tavira, ofereceu à nossa Biblioteca alguns livros, como tinha já assumido esse compromisso aquando da sua colaboração no Cantinho da Leitura que decorreu no 1º aniversário do Centro Comercial.
Da generosa lista constam os títulos das imagens, assim como:
"Não me mexas"e "Hora do Banho", de Francesc Rovira
"Os dinosssauros" ; "A recolha do lixo" ; "O jardim de infância" - Colecção Despertar, da Editora Verbo

sábado, 17 de julho de 2010

A BE/CRE AGRADECE AO 7ºE

A Be/Cre agradece ao 7ºE e à sua professora de Língua Portuguesa a iniciativa, organização e realização da Feira do Livro Usado que decorreu em Tavira durante a Semana da Juventude, cuja receita reverteu integralmente para a Biblioteca Escolar, o que permitirá a aquisição de novos materiais (livros, dvd´s, cd´s...).
Num singelo gesto de agradecimento foi oferecido a cada aluno um diploma, que poderá ser arquivado para mais tarde relembrar tão nobre iniciativa...

domingo, 11 de julho de 2010

toda a gente sabe que a noite é longa...


Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.

Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.

Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.

Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.

E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?

Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.


José Luís Peixoto
-Gaveta de Papéis - 2008


Música: Nine Inch Nails - Ghosts I ;

Personagens:Vítor Costa e Daniela Gigante

A ESCRITA É O DESCONHECIDO


"A escrita é o desconhecido. Antes de escrever não sabemos nada acerca do que vamos escrever. Com toda a lucidez.
É o desconhecido de nós mesmos, da nossa cabeça, do nosso corpo. Não é sequer uma reflexão, escrever é uma espécie de faculdade que temos ao lado da nossa pessoa, paralelamente a ela, de uma outra pessoa que aparece e que avança, invisível, dotada de pensamento, de cólera, e que, por vezes, pelos seus próprios factos, está em perigo de perder a vida.
Se soubéssemos alguma coisa do que vamos escrever, antes de o fazer, antes de escrever, nunca escreveríamos. Não valeria a pena.
Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos se escrevêssemos - só o sabemos depois - antes, é a interrogação mais perigosa que nos podemos fazer. Mas é também a mais corrente. "

Marguerite Duras, in "Escrever"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

EM JEITO DE HOMENAGEM...


MISE
Eu fui ao cabeleireiro
E pedi:
- Faça-me uma mise por favor.

E o cabeleireiro respondeu:
- Com certeza, Mademoiselle!
Passadas duas horas,
Muita água quente, shampoo frio, tesouras, pentes, ganchos e calor
O cabeleireiro, ao fim, deu-me um espelhinho oval
Para as mãos
E disse:
- Tenha a bondade de olhar, Mademoiselle.
E eu tive a bondade; olhei o espelhinho oval
E mais o grande que já tinha em frente.
E falei para o espelhinho oval:
- Boa tarde, Senhora Dona.
Donde é que eu a conheço?
E o cabeleireiro, então, pôs muito fixador
Pf...Pf...Pf...Pf...Pf...
e eu cresci muito naquele dia.
Matilde Rosa Araújo, in Palavras de Cristal

terça-feira, 6 de julho de 2010

À ESCRITORA COM UMA FLOR NO NOME




Morreu a escritora Matilde Rosa Araújo, que se destacou com obras para crianças.
Matilde Rosa Araújo nasceu a 21 de Junho de 1921, e faleceu hoje, terça-feira, aos 89 anos, em casa, em Lisboa.

Destacou-se por uma vida dedicada aos problemas e aos direitos das crianças, temáticas que se reflectiram na sua obra; abordou a infância em três perspectivas-base: a infância feliz, a infância agredida e a infância como projecto.
Galardoada com o prémio para o melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996, ao livro de poemas "Fadas Verdes", tem obra marcante, também, na literatura para adultos, nomeadamente com contos e poesia.


Os mais de 20 livros para crianças que publicou colocam a tónica na obra para os mais novos, o que lhe valeu, ainda, o Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian, “ex-aequo” com Ricardo Alberty, em 1980; e o prémio para o melhor livro estrangeiro, com "O Palhaço Verde", atribuído pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, em 1991.

Matilde Rosa Araújo recebeu, também, o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em Maio de 2004.



Um texto inédito de Matilde Rosa Araújo, intitulado "Florinda e o Pai Natal", vai ser editado, a título póstumo, em Outubro pela Calendário.

terça-feira, 29 de junho de 2010

LIVROS



"Minha vida era um palco iluminado
Vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões.

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria.

Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo.

Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
E ,sem dúvida, sobretudo o verso
É o que pode lançar mundos no Mundo."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CHEGOU ASSIM O VERÃO


"E no meio de um inverno eu finalmente
aprendi que havia dentro de mim
um verão invencível."

Albert Camus

LEVE UM LIVRO PARA FÉRIAS

Um bom livro para as férias deve ser criteriosamente escolhido: caber na mala; ser um bom encosto de cabeça; ser resistente aos milhentos grãos de areia e salitre; com poucas páginas, mas muitas ideias; capa grossa e impermeável e... termos vontade de o ler!
BOAS FÉRIAS E BOAS LEITURAS!

sábado, 19 de junho de 2010

NO CORAÇÃO, SEMPRE!


No Coração, Talvez

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O DIA DA MORTE DO MESTRE


O prémio Nobel da Literatura, José Saramago, morreu hoje, aos 87 anos. Sempre envolto em polémicas, quer se goste ou não, deixou uma vasta obra, notável quer no estilo, quer na renovação, na riqueza e no conteúdo político e social.

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional (aparentemente incorrecta aos olhos da maioria). Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas "sentenças" ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores.
Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea: é considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa.

terça-feira, 15 de junho de 2010

As mais talentosas...

A Be/Cre lançou o desafio, mas foram estas meninas que tomaram o leme e guiaram(bem, muito bem!) a festa. Pelo empenho e colaboração merecem os aplausos de todos! A equipa da Biblioteca agradece à Heloísa, à Marta e à Nídia e elege-as como as mais talentosas da Festa!

SERÁ QUE SOU POETA?


Hoje fomos brindados com um belo poema da aluna Maria Pires, do 6ºC, que também e tão bem o leu. Houve vários talentos na Festa, mas quando estes se revelam com palavras e a sua fértil combinação, aqui o "cantinho" sente-se mais feliz...

SERÁ QUE SOU POETA?

Sei que sei o que sei

mas sei que nunca soube

se algum dia saberei

se a alegria que hoje sinto

fui eu que a criei.


Será que valho pelo que escrevo?

Ou será que o que é escrito

é que vale por quem o escreveu?


Será esta questão de muitos poetas

ou simplesmente fruto da minha imaginação?


Será que para ser poeta

é preciso um curso superior?

Ou simplesmente mostrar às pessoas

que o que escrevemos tem valor?


Será que acredito nisto realmante,

ou simplesmente

falo como uma criança inocente?


Acima de tudo

há uma resposta que julgo ter:

é certeza de que fiz bem em vir cá hoje

porque sempre terei esta paixão

de escrever!

sábado, 12 de junho de 2010

UM FIM...


"Em geral quando termino um livro encontro-me numa confusão de sentimentos, um misto de alegria, alívio e vaga tristeza. Relendo a obra mais tarde, quase sempre penso ‘Não era bem isto o que queria dizer’."
Érico Veríssimo