
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
este é um fogo que arde e que se vê...

domingo, 1 de agosto de 2010
exibicionismo

essa vontade
que eu tinha
de nas águas
te perder…
para depois
te pescar
à linha,
com muita
gente a ver.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
vá a banhos e leve um livro

domingo, 18 de julho de 2010
em tempo de "pic-nics"...

Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
CESÁRIO VERDE - 1855/1886
UMA PRENDA BOA


sábado, 17 de julho de 2010
A BE/CRE AGRADECE AO 7ºE
A Be/Cre agradece ao 7ºE e à sua professora de Língua Portuguesa a iniciativa, organização e realização da Feira do Livro Usado que decorreu em Tavira durante a Semana da Juventude, cuja receita reverteu integralmente para a Biblioteca Escolar, o que permitirá a aquisição de novos materiais (livros, dvd´s, cd´s...).Num singelo gesto de agradecimento foi oferecido a cada aluno um diploma, que poderá ser arquivado para mais tarde relembrar tão nobre iniciativa...
domingo, 11 de julho de 2010
toda a gente sabe que a noite é longa...
Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
José Luís Peixoto
-Gaveta de Papéis - 2008
Música: Nine Inch Nails - Ghosts I ;
Personagens:Vítor Costa e Daniela Gigante
A ESCRITA É O DESCONHECIDO

É o desconhecido de nós mesmos, da nossa cabeça, do nosso corpo. Não é sequer uma reflexão, escrever é uma espécie de faculdade que temos ao lado da nossa pessoa, paralelamente a ela, de uma outra pessoa que aparece e que avança, invisível, dotada de pensamento, de cólera, e que, por vezes, pelos seus próprios factos, está em perigo de perder a vida.
Se soubéssemos alguma coisa do que vamos escrever, antes de o fazer, antes de escrever, nunca escreveríamos. Não valeria a pena.
Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos se escrevêssemos - só o sabemos depois - antes, é a interrogação mais perigosa que nos podemos fazer. Mas é também a mais corrente. "
Marguerite Duras, in "Escrever"
quarta-feira, 7 de julho de 2010
EM JEITO DE HOMENAGEM...

Eu fui ao cabeleireiro
E pedi:
- Faça-me uma mise por favor.
E o cabeleireiro respondeu:
- Com certeza, Mademoiselle!
Passadas duas horas,
Muita água quente, shampoo frio, tesouras, pentes, ganchos e calor
O cabeleireiro, ao fim, deu-me um espelhinho oval
Para as mãos
E disse:
- Tenha a bondade de olhar, Mademoiselle.
E eu tive a bondade; olhei o espelhinho oval
E mais o grande que já tinha em frente.
E falei para o espelhinho oval:
- Boa tarde, Senhora Dona.
Donde é que eu a conheço?
E o cabeleireiro, então, pôs muito fixador
Pf...Pf...Pf...Pf...Pf...
e eu cresci muito naquele dia.
terça-feira, 6 de julho de 2010
À ESCRITORA COM UMA FLOR NO NOME


Matilde Rosa Araújo nasceu a 21 de Junho de 1921, e faleceu hoje, terça-feira, aos 89 anos, em casa, em Lisboa.
Destacou-se por uma vida dedicada aos problemas e aos direitos das crianças, temáticas que se reflectiram na sua obra; abordou a infância em três perspectivas-base: a infância feliz, a infância agredida e a infância como projecto.
Galardoada com o prémio para o melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996, ao livro de poemas "Fadas Verdes", tem obra marcante, também, na literatura para adultos, nomeadamente com contos e poesia.
Os mais de 20 livros para crianças que publicou colocam a tónica na obra para os mais novos, o que lhe valeu, ainda, o Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian, “ex-aequo” com Ricardo Alberty, em 1980; e o prémio para o melhor livro estrangeiro, com "O Palhaço Verde", atribuído pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, em 1991.
Matilde Rosa Araújo recebeu, também, o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em Maio de 2004.
Um texto inédito de Matilde Rosa Araújo, intitulado "Florinda e o Pai Natal", vai ser editado, a título póstumo, em Outubro pela Calendário.
terça-feira, 29 de junho de 2010
LIVROS
"Minha vida era um palco iluminado
Vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões.
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria.
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo.
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
E ,sem dúvida, sobretudo o verso
É o que pode lançar mundos no Mundo."
domingo, 27 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
CHEGOU ASSIM O VERÃO
.jpg)
aprendi que havia dentro de mim
um verão invencível."
Albert Camus
LEVE UM LIVRO PARA FÉRIAS
sábado, 19 de junho de 2010
NO CORAÇÃO, SEMPRE!

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O DIA DA MORTE DO MESTRE

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional (aparentemente incorrecta aos olhos da maioria). Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas "sentenças" ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores.
Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea: é considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa.



