sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
As bibliotecas são como aeroportos.
São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de
partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser
convocado à força dos seus livros.
Todas as coisas do mundo podem ser
chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como
matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a
maravilha.
Os livros são família direta dos
aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das
nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se
entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se
vê.
O leitor entra com o livro para
dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda
para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao
avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se
importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.
Os livros são toupeiras, são minhocas,
eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam
e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o
princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na
cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram,
imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm
crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm
olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de
cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e
contar. Os livros é que contam.
(…)
As bibliotecas - Valter
Hugo Mãe (Jornal de Letras, 15 a 28 de maio)
Foi proposto aos
alunos do 9ºD para escreverem um
comentário crítico sobre uma situação da sociedade que os incomodasse particularmente.
A Maria
Beatriz Abrantes inspirou-se na linguagem irónica de António Lobo
Antunes, na crónica “A consequência dos semáforos” e escreveu
sobre…
O tempo
Detesto
o tempo e o melhor é nem dizer o que penso do relógio!... E ele detesta-me
igualmente, não acreditam? Pois eu explico-vos: em primeiro lugar, graças a ele,
estou sempre atrasada. Os meus amigos, professores, conhecidos e desconhecidos
culpam-me sempre a mim, quando a verdade é que a culpa não é minha, mas sim do
tempo que me está sempre a tramar. E, como se isso não bastasse, quando tenho
pressa, ele passa a correr, mas quando não tenho pressa nenhuma ou estou, por
assim dizer, a apanhar uma “seca”, ele passa tão devagar!… E ainda existem
pessoas que têm o descaramento de me dizer que o tempo não é um problema da
sociedade! Pois fiquem sabendo que foi uma sociedade que criou este monstro com
ponteiros e números e algures na sua criação os mais antigos ordenaram-lhe que
me odiasse.
Mas
não se preocupem, que eu sei como
destruir e domar este monstro! Vou deitar fora o relógio, vou parar com aquele
tic-tac tic-tac tic-tac infernal, tirando-lhe as pilhas.
Mas,
para meu grande espanto, mesmo depois de o fazer, continuei a ouvir reclamações
por chegar tarde e nem foi por isso que o tempo parou de voar ou de se atrasar.
E,
para finalizar a minha conclusão, tenho uma história para vocês. Um dia, fui ao
cinema com os meus amigos e, magicamente, cheguei cedo, mas um amigo meu chegou
tarde e todos ralharam com ele. Aí percebi que, afinal, os mais antigos não
tinham mandado o tempo odiar-me, mas sim toda a humanidade.
Maria Beatriz Abrantes, 9ºD
sábado, 28 de setembro de 2013
POEMA SOBRE O AMOR ETERNO
Inventaram um amor eterno. Trouxeram-no em
braços para o meio das pessoas e ali ficou, à espera que lhe falassem. Mas
ninguém entendeu a necessidade de sedução. Pouco a pouco, as pessoas voltaram a
casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no chão. Não
estava desesperado, nada do que é eterno tem pressa, estava só surpreso. Um
dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas
e, por ocupar muito espaço, o amor eterno deslizou para fora da praça. Ficou
muito discreto, algo sujo. Foi como um louco o viu e acreditou nas suas
intenções. Carregou-o para dentro do seu coração, fugindo no exato momento em
que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar.
Valter Hugo Mãe, in
"contabilidade"
O mais importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.
Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.
Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.
Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.
Botto, António- As Canções de António Botto, Ed. Presença
É ser-se criador – criar beleza.
Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.
Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.
Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.
Botto, António- As Canções de António Botto, Ed. Presença
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Hoje cortaram-me as asas...
"Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.
Cortaram-nos as asas como se fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas e, novamente cortadas de novo voltam a ser.
Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair."
ASAS - José Fanha, 1985, Cartas de Marear
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.
Cortaram-nos as asas como se fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas e, novamente cortadas de novo voltam a ser.
Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair."
ASAS - José Fanha, 1985, Cartas de Marear
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
EUGÉNIO DE ANDRADE
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Hugo Teixeira esteve cá!
terça-feira, 4 de junho de 2013
·
Castelo
·
Fonte
das Três Bicas
·
Ponte
Romana
No dia 18 de janeiro
de 2013, a turma do 3º C foi fazer o trilho das lendas de Tavira com as
professoras Filomena e Susana. Saímos da escola às nove horas e trinta minutos,
a pé.
Primeiro
fomos ao castelo e lá a professora Susana contou-nos a lenda de Tavira.
Falava que os cavaleiros cristãos iam conquistar o castelo de Tavira e o rei
mouro ia fugir com a sua filha, mas a sua filha não queria ir com o seu pai, e
então o seu pai decidiu encantá-la. E diz a lenda que para desencantar a
princesa é preciso escalar o castelo da parte mais baixa até à torre, na noite
de São João.
Depois fomos à fonte
das três bicas e a professora Susana contou-nos a lenda da fonte das
três bicas, em que o rei mouro tinha três filhas, uma loira, uma ruiva e uma
morena que eram todas tão bonitas que cada cavaleiro que passava apaixonava-se
por elas, mas o pai não autorizava e encantou-as. E de hoje em diante ainda não
pararam de chorar.
De seguida fomos para
a ponte
Romana onde lanchámos e a professora Susana contou-nos a lenda da ponte
Romana, que falava de uma princesa moura e um cavaleiro cristão que se
apaixonaram. Um dia eles saíram às escondidas e os outros cavaleiros cristãos
viram e foram contar ao rei mouro, e ele ficou tão zangado que mandou matar os
apaixonados; para se salvarem, a princesa Séqua atirou-se para um lado
do rio e o cavaleiro Gilão saltou para o outro lado do rio. Então é por isso
que a ponte Romana está a dividir o rio Séqua e o rio Gilão.
Simão Lopes – 3ºC
quarta-feira, 29 de maio de 2013
A CONTRADIÇÃO HUMANA, de Afonso Cruz
Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura
3º, 4º, 5º e 6º Anos de Escolaridade
Prémio SPA Autores 2011 para Melhor Livro Infanto-juvenil
"Depois de me deparar com estas coisas que desafiam a lógica de
todo o UNIVERSO CONHECIDO, comecei a observar algo mais curioso ainda. Dentro
das pessoas (e isso inclui os vizinhos) habitam as maiores contradições." Afonso Cruz
Afonso Cruz traz-nos as observações de uma criança
atenta ao mundo, às suas contradições e opostos, combinando ironia e argúcia com
um talento narrativo que passa igualmente pela sua ilustração.
Recomendado a todos que têm ESPÍRITO DE CONTRADIÇÃO.já o podes ler e ver (ilustrações fantásticas de Afonso Cruz!) na nossa Biblioteca.
É MEIA NOITE, CHOVE E ELA NÃO ESTÁ EM CASA
É MEIA NOITE, CHOVE E ELA NÃO ESTÁ EM CASA, de Isabel Stilwell e Ana Stilwell
Uma mãe que desaparece! Um resgate enviado pelo próprio pai - ela só voltará se os filhos fizerem a cama todos os dias e não deitarem as toalhas molhadas para o chão. Os cinco irmãos reúnem-se e decidem não aceitar a chantagem, e a pobre senhora é encarcerada num orfanato para mães abandonadas. Um romance de aventura, mistério e paixão que retrata, como nenhum outro, a atribulada relação dos pais com os seus filhos adolescentes. E vice-versa.
Um livro da coleção Espírito Jovem... e é verdade!
Procura-o na tua Biblioteca!
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Hoje não quero escrever mais, não quero saber de mais
nada nem de ninguém, além de mim, claro!
Deixo isso bem claro! Estou farta de escrever, escrever
e escrever, já chateia e além de mais é que dói imenso a mão.
Daqui a bocado ela cai! Estou farta de trabalho de ser
jornalista, ainda por cima deixa calos nos dedos, acho que vou desistir! O meu
chefe só grita comigo, agora começo a pensar que não gostam de mim e que sou
lenta. Preciso de ir ao psicólogo e o meu chefe também!
Quando entrei na sala fiquei admiradíssima com tudo o
que lá havia, mas como o psicólogo ainda não estava lá saí a correr e nunca
mais lá voltei.
Passaram dias e o meu chefe cada vez a tratar--me melhor acho que só de olhar para aquela sala
me fez uma lavagem ao cérebro mas nunca mais lá ponho os pés.
Trabalho realizado por: Filipa
Felgueira
Nº9 6ºB Professora: Paula Amaral Disciplina: Língua Portuguesa
Basta! Hoje não! Se calhar Amanhã, mas Hoje não.
Deixo isso para outro dia, estou cansado, não aguento mais.
Vou para casa comer, a minha família está à minha espera!
Ele estava a ficar doente com tanto trabalho, que teve de pedir baixa.
O chefe estava zangadíssimo, achava-se o melhor mas não sabia fazer nada.
Tentaram chamá-lo à razão, mas nada acontecia, ele criticava e pensava que nós nunca tínhamos razão.
Até que um dia o chefe que manda em todos os bancos Santander Totta descobriu o que, o outro chefe, andava a dizer aos clientes e aos empregados e por isso foi despedido.
Hoje não quero escrever mais, não quero saber de mais nada nem de ninguém, além de mim claro!
Deixo isso por fazer. Não a quero fazer, não consigo!
Fecho a caneta. Deito-me na cama, viro-me e viro-me para tentar encontrar a inspiração perdida.
Ah! Não consigo! Hoje não! Talvez Amanhã, mas Hoje não!
Trabalho realizado por:
Sara Gama nº 21 6ºB
Basta! Hoje não! Se calhar amanhã, mas hoje não!
Hoje não quero escrever mais, não quero saber de mais nada,
nem de ninguém. Além de mim, Claro!
Deixo isso …pelo menos hoje, fico em silêncio,
mais nada, esqueço tudo, amanhã compro Serebrum.
Não me lembrarei de nada, só de
mim, trabalho e família esquecidos pela Antártida! Em casa sozinho, mais
ninguém para me chatear, esquecido para sempre nas “Bermas do Mundo”.
Tudo esquecido, Serebrum esgotado, fábrica
encerrada, nada mais.
O mundo calmo, ainda mais calmo,
nenhum rebuliço, nada de assaltos.
Tudo vive feliz. O mundo agora é
estupendo, como antigamente.
Vasco Pereira - 6ºB
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Já se encontra entre nós
Coletânea com as melhores poesias de Vinícius de Moraes, o eterno poeta da beleza.. Pinturas e fotografias acompanham poemas como "Auto-retrato", "A felicidade", "Soneto da separação" e Da solidão".
Max vive em Munique com os seus pais e irmãos - e com Mix, o seu inseparável gato preto com uma mancha branca na barriga. Amigos desde a infância, quando Max cresce e decide mudar de casa, leva Mix consigo. Mix adora viver no novo apartamento. Mas quando Max começa a trabalhar e não pode estar tanto tempo em casa, Mix, que está a envelhecer e a perder a visão, sente-se cada vez mais sozinho.
Um dia, Mix ouve uns passinhos suaves vindos da despensa e descobre que há um ladrão a comer os cereais crocantes do dono. Esperto, Mix deixa-se ficar quieto e, de repente, com a rapidez de outros tempos, estica a pata e sente o corpo trémulo de um minúsculo ratinho. Mex, como é batizado, é um ratinho mexicano, muito medroso e charlatão. Mas os verdadeiros amigos apoiam-se um ao outro e juntos aprendem a partilhar o que de melhor têm dentro de si.
Baseado num episódio da vida de um dos filhos de Luis Sepúlveda, a História de um gato e de um rato que se tornaram amigos oferece-nos uma vez mais uma fábula singela e divertida sobre o verdadeiro valor da amizade.
Recentemente chegado à tua Biblioteca!
"História de um gato e de um rato que se tornaram amigos"
de Luis Sepúlveda.
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