quarta-feira, 9 de outubro de 2013

 
 
Jorge Luís Borges soube que tinha morrido quando, tendo fechado os olhos para melhor escutar o longínquo rumor da noite crescendo sobre Genebra, começou a ver. Distinguiu primeiro uma luz vermelha, muito intensa, e compreendeu que era o fulgor do sol filtrado pelas suas pálpebras. Abriu os olhos, inclinou o rosto, e viu uma fileira de densas sombras verdes. Estava estendido de costas numa plantação de bananeiras. Aquilo deixou-o de mau humor. Bananeiras?! Ele sempre imaginara o paraíso como uma enorme biblioteca: uma sucessão interminável de corredores, escadas e outros corredores, ainda mais escadas e novos corredores, e todos eles com livros até ao teto".
Substância do Amor é um livro fácil de devorar. Para quem não tem muito tempo ou paciência para uma longa obra, este é o livro ideal. Vai-se devorando aos poucos. As histórias aparecem como forma de crónicas suaves, de fácil consumo. O género permite mesmo certas liberdades assemelhando-se a apontamentos do escritor, um bloco de notas que se expõe ao entendimento dos autores. Estas notas que se vão tomando ao longo dos dias, parecem ter em vista uma continuação, uma futura obra, talvez.
Este livro está cheio de humor negro, de ironia mordaz, de observações perspicazes sobre o estado do mundo que nos rodeia (ou seja, sobre nós próprios).


terça-feira, 8 de outubro de 2013

 
 
Ser adolescente não é fácil. As expectativas que se criam são difíceis de superar e todos os problemas assumem proporções gigantescas. Mas, acidentalmente, Alice encontrou a melhor forma de se evadir de tudo isto: as drogas! E se os momentos de prazer que consegue ao drogar-se proporcionam alegria e bem-estar, os maus momentos deixam bem claro que o preço a pagar por esses instantes é demasiado elevado. O diário que vai escrevendo revela um percurso de otimismo e desespero, transformando este livro num instrumento marcante para os leitores.
 

 
 
As protagonistas desta obra são duas irmãs que por força das circunstâncias são obrigadas a levar vidas muito diferentes em diversos aspetos, mas muito semelhantes noutros. Por vezes sentem-se soçobrar sob o peso dos problemas, das dúvidas e das ansiedades que as assaltam, mas acabam por revelar o melhor de si próprias quando se mantêm fiéis aos valores em que acreditam e descobrem dentro de si a coragem e o amor necessários para manterem acesa a esperança num futuro risonho. 


"O cinema é um modo divino de contar a vida."
 Fellini , Federico
 

Blue Jasmine é o regresso de Woody Allen à boa forma. A sua caricatura social ganha outra camada com Blue Jasmine, onde apresenta uma personagem desequilibrada e moralmente comprometida interpretada de forma brilhante por Cate Blanchett. Enquadrando em pouco minutos e com poucas falas, nos seus habituais planos cénicos, a premissa da sua história, Woody Allen introduz Blue Jasmine como uma sarcástica admiração da riqueza descontrolada e da superioridade falsa. Jasmine, ou Jeanette, não é a habitual musa em quem muitas vezes Woody Allen deposita os seus desejos; é, se de todo alguma coisa para o realizador americano, uma antítese dessa representação costumeira: é uma mulher que não inspira, profundamente embrulhada na deceção, na inconformação e na depressão. Não há dúvidas de que o caminho de Jasmine, descendo à terra, não será feliz; não se estaria a discorrer sobre Woody Allen se se esperasse outro desfecho. O importante aqui é a jornada, compreender nos pequenos detalhes o âmbito da caricatura social.

In Fora de Cena

Vale a pena ver o último filme de Woody Allen.



quarta-feira, 2 de outubro de 2013


As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.
Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.
Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.
Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.
(…)
As bibliotecas - Valter Hugo Mãe (Jornal de Letras, 15 a 28 de maio)


    Foi proposto aos alunos do 9ºD para escreverem um comentário crítico sobre uma situação da sociedade que os incomodasse particularmente. A Maria Beatriz Abrantes inspirou-se na linguagem irónica de António Lobo Antunes, na crónica “A consequência dos semáforos” e escreveu sobre…





O tempo

Detesto o tempo e o melhor é nem dizer o que penso do relógio!... E ele detesta-me igualmente, não acreditam? Pois eu explico-vos: em primeiro lugar, graças a ele, estou sempre atrasada. Os meus amigos, professores, conhecidos e desconhecidos culpam-me sempre a mim, quando a verdade é que a culpa não é minha, mas sim do tempo que me está sempre a tramar. E, como se isso não bastasse, quando tenho pressa, ele passa a correr, mas quando não tenho pressa nenhuma ou estou, por assim dizer, a apanhar uma “seca”, ele passa tão devagar!… E ainda existem pessoas que têm o descaramento de me dizer que o tempo não é um problema da sociedade! Pois fiquem sabendo que foi uma sociedade que criou este monstro com ponteiros e números e algures na sua criação os mais antigos ordenaram-lhe que me odiasse.
Mas não se preocupem, que eu sei como destruir e domar este monstro! Vou deitar fora o relógio, vou parar com aquele tic-tac tic-tac tic-tac infernal, tirando-lhe as pilhas.
Mas, para meu grande espanto, mesmo depois de o fazer, continuei a ouvir reclamações por chegar tarde e nem foi por isso que o tempo parou de voar ou de se atrasar.
E, para finalizar a minha conclusão, tenho uma história para vocês. Um dia, fui ao cinema com os meus amigos e, magicamente, cheguei cedo, mas um amigo meu chegou tarde e todos ralharam com ele. Aí percebi que, afinal, os mais antigos não tinham mandado o tempo odiar-me, mas sim toda a humanidade. 

Maria Beatriz Abrantes, 9ºD

 



sábado, 28 de setembro de 2013

 
 
POEMA SOBRE O AMOR ETERNO
Inventaram um amor eterno. Trouxeram-no em braços para o meio das pessoas e ali ficou, à espera que lhe falassem. Mas ninguém entendeu a necessidade de sedução. Pouco a pouco, as pessoas voltaram a casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no chão. Não estava desesperado, nada do que é eterno tem pressa, estava só surpreso. Um dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas e, por ocupar muito espaço, o amor eterno deslizou para fora da praça. Ficou muito discreto, algo sujo. Foi como um louco o viu e acreditou nas suas intenções. Carregou-o para dentro do seu coração, fugindo no exato momento em que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar.
Valter Hugo Mãe, in "contabilidade"


 
O mais importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.

Botto, António-
As Canções de António Botto, Ed. Presença
 


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Hoje cortaram-me as asas...

"Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.
Cortaram-nos as asas como se fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas e, novamente cortadas de novo voltam a ser.
Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair."

ASAS - José Fanha, 1985, Cartas de Marear

terça-feira, 3 de setembro de 2013


Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
  Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda? 

Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória. 

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras? 

Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim. 
EUGÉNIO DE ANDRADE
 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Não tardará a chegar ao fim
este agosto que te viu passar com a luz
a teus pés. Somos eternos, dizias.
Eugénio de Andrade

terça-feira, 18 de junho de 2013

TOP +


Títulos mais lidos entre 1 de set. 2012 e 12 junho de 2013- Empréstimo domiciliário (alunos)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Era uma vez
uma galinha depenada
que foi frita 
e cozinhada.

Era uma vez
uma galinha depenada
quis ir para o mar
e morreu afogada.


Era uma vez
uma galinha depenada
foi ter contigo
e ficou toda cortada.


Era uma vez
uma galinha depenada
brincou com o elefante
e acabou esmagada.

MARIANA MÊDA    5º D

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Hugo Teixeira esteve cá!



No passado dia 22 de maio, os alunos do 7ºano (turmas B, D, F e G) tiveram a oportunidade de ver e ouvir o autor e ilustrador de BD Hugo Teixeira, que apresentou o seu livro de manga. .
Para saberes mais sobre este autor .

terça-feira, 4 de junho de 2013




O trilho das lendas de mouras encantadas de Tavira
·         Castelo

·         Fonte das Três Bicas

·         Ponte Romana



No dia 18 de janeiro de 2013, a turma do 3º C foi fazer o trilho das lendas de Tavira com as professoras Filomena e Susana. Saímos da escola às nove horas e trinta minutos, a pé.

Primeiro fomos ao castelo e lá a professora Susana contou-nos a lenda de Tavira. Falava que os cavaleiros cristãos iam conquistar o castelo de Tavira e o rei mouro ia fugir com a sua filha, mas a sua filha não queria ir com o seu pai, e então o seu pai decidiu encantá-la. E diz a lenda que para desencantar a princesa é preciso escalar o castelo da parte mais baixa até à torre, na noite de São João.

Depois fomos à fonte das três bicas e a professora Susana contou-nos a lenda da fonte das três bicas, em que o rei mouro tinha três filhas, uma loira, uma ruiva e uma morena que eram todas tão bonitas que cada cavaleiro que passava apaixonava-se por elas, mas o pai não autorizava e encantou-as. E de hoje em diante ainda não pararam de chorar.

De seguida fomos para a ponte Romana onde lanchámos e a professora Susana contou-nos a lenda da ponte Romana, que falava de uma princesa moura e um cavaleiro cristão que se apaixonaram. Um dia eles saíram às escondidas e os outros cavaleiros cristãos viram e foram contar ao rei mouro, e ele ficou tão zangado que mandou matar os apaixonados; para se salvarem, a princesa Séqua atirou-se para um lado do rio e o cavaleiro Gilão saltou para o outro lado do rio. Então é por isso que a ponte Romana está a dividir o rio Séqua e o rio Gilão.


Simão Lopes – 3ºC

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A CONTRADIÇÃO HUMANA, de Afonso Cruz





Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura
3º, 4º, 5º e 6º Anos de Escolaridade

Prémio SPA Autores 2011 para Melhor Livro Infanto-juvenil

"Depois de me deparar com estas coisas que desafiam a lógica de todo o UNIVERSO CONHECIDO, comecei a observar algo mais curioso ainda. Dentro das pessoas (e isso inclui os vizinhos) habitam as maiores contradições." Afonso Cruz

 Afonso Cruz traz-nos as observações de uma criança atenta ao mundo, às suas contradições e opostos, combinando ironia e argúcia com um talento narrativo que passa igualmente pela sua ilustração.
Recomendado a todos que têm ESPÍRITO DE CONTRADIÇÃO.
já o podes ler e ver (ilustrações fantásticas de Afonso Cruz!) na nossa Biblioteca.



É MEIA NOITE, CHOVE E ELA NÃO ESTÁ EM CASA



É MEIA NOITE, CHOVE E ELA NÃO ESTÁ EM CASA,  de Isabel Stilwell e Ana Stilwell
Uma mãe que desaparece! Um resgate enviado pelo próprio pai - ela só voltará se os filhos fizerem a cama todos os dias e não deitarem as toalhas molhadas para o chão. Os cinco irmãos reúnem-se e decidem não aceitar a chantagem, e a pobre senhora é encarcerada num orfanato para mães abandonadas. Um romance de aventura, mistério e paixão que retrata, como nenhum outro, a atribulada relação dos pais com os seus filhos adolescentes. E vice-versa.
Um livro da coleção Espírito Jovem... e é verdade!
Procura-o na tua Biblioteca!

segunda-feira, 27 de maio de 2013



Basta! Hoje não! Se calhar amanhã mas hoje não.

Hoje não quero escrever mais, não quero saber de mais nada nem de ninguém, além de mim, claro!

Deixo isso bem claro! Estou farta de escrever, escrever e escrever, já chateia e além de mais é que dói imenso a mão.

Daqui a bocado ela cai! Estou farta de trabalho de ser jornalista, ainda por cima deixa calos nos dedos, acho que vou desistir! O meu chefe só grita comigo, agora começo a pensar que não gostam de mim e que sou lenta. Preciso de ir ao psicólogo e o meu chefe também!

Quando entrei na sala fiquei admiradíssima com tudo o que lá havia, mas como o psicólogo ainda não estava lá saí a correr e nunca mais lá voltei.

Passaram dias e o meu chefe cada vez a tratar--me  melhor acho que só de olhar para aquela sala me fez uma lavagem ao cérebro mas nunca mais lá ponho os pés.                                

Trabalho realizado por: Filipa Felgueira

     Nº9 6ºB  Professora: Paula Amaral   Disciplina: Língua Portuguesa


Basta! Hoje não! Se calhar Amanhã, mas Hoje não.
Hoje não quero escrever mais, não quero saber de mais nada nem de ninguém, Além de mim, claro!
Deixo isso para outro dia, estou cansado, não aguento mais.
Vou para casa comer, a minha família está à minha espera!
Ele estava a ficar doente com tanto trabalho, que teve de pedir baixa.
O chefe estava zangadíssimo, achava-se o melhor mas não sabia fazer nada.
Tentaram chamá-lo à razão, mas nada acontecia, ele criticava e pensava que nós nunca tínhamos razão.
Até que um dia o chefe que manda em todos os bancos Santander Totta descobriu o que, o outro chefe, andava a dizer aos clientes e aos empregados e por isso foi despedido.

 Trabalho realizado por: Miriam Elisa Arrais Brito Nº18 6ºB

 

   

Basta! Hoje não! Se calhar Amanhã, mas hoje não.
   Hoje não quero escrever mais, não quero saber de mais nada nem de ninguém, além de mim claro!

    Deixo isso por fazer. Não a quero fazer, não consigo!

 Este drama todo no sábado à tarde, só para fazer uma composição!
     Rasgo mais uma folha do caderno e atiro-a para o cesto de papéis. Esta folha faz agora companhia às outras cinco tentativas falhadas.
   Fecho a caneta. Deito-me na cama, viro-me e viro-me para tentar encontrar a inspiração perdida.
   Ah! Não consigo! Hoje não! Talvez Amanhã, mas Hoje não!

  Trabalho realizado por:
Sara Gama nº 21 6ºB