sábado, 8 de março de 2014





As mulheres voam
como os anjos:
Com as suas asas feitas
de cristal de rocha da memória

Disponíveis
para voar

soltas...

Primeiro
lentamente: uma por uma

Depois,
iguais aos pássaros

fundas...

Nadando,
juntas

Secreta: a rasar o
chão

a rasar a fenda
da lua
(…)

Dizem-nos:
que nos limitemos ao espaço

Mas nós voamos
também
debaixo de água

Nós somos os anjos
deste tempo

Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...

Temos um pacto
com aquilo que
voa

– as aves
da poesia

Maria Teresa Horta



Abracei o corpo da minha mulher, segurei-lhe a mão, a sua cabeça no meu ombro, criei um pequeno embalo, como para adormecê-la, ou como se faz a quem chora e queremos confortar. Vai ficar tudo bem, vai correr tudo bem. O que era impossível, e o impossível não melhora, não se corrige. Estávamos encostados à parede, sobre o cortinado, como fazíamos na juventude para os beijos e para as partilhas tolas de enamorados. Estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através dos seus olhos, a minha necessidade vital de respirar através do seu sorriso. Eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia, entregava-me tudo de uma só vez. E eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar.
Com a morte, também o amor devia acabar. Ato contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir.”

Valter Hugo Mãe, in  “A máquina de fazer espanhóis”

quinta-feira, 6 de março de 2014

                 Mais outra bruxinha…


A Bruxinha

    Era uma vez uma bruxinha mazinha e feiinha. Ela gostava de pregar partidas às pessoas.
    Um dia, ela decidiu ir à floresta. Viu uma moeda de oiro num sapato de um menino, e este (que era pobre) foi buscá- la, mas, à medida que pega na moeda, Mafalda (que é a bruxa) assustou-o e ele fugiu para a sua cabana. Ela foi-se embora a rir muito dele.
     No dia seguinte, ela foi ao rio e ouviu um peixinho reluzente a gritar “Bruxinha, bruxinha, ajuda-me! “ Ela, em vez de o ajudar, riu dele, mas não se foi embora. Depois de rir um pouco, meteu-o dentro de água. Ele disse: “Bruxinha linda!” e ela disse: “Volta aqui, peixe amigo!”
    Então, ela ouviu uma voz a dizer “Mafalda, Mafalda”, virou-se e viu a Rainha das Bruxas Más. “Estás proibida de visitar o vale das Bruxas Más.” Ela ficou muito triste e chorou dia e noite. Até que encontrou a Rainha das Bruxas Boas.
    A Rainha das Bruxas Boas disse “Se aceitares o que eu te pedir, serás uma Bruxa Boa, linda e voltarás a ter a tua vassoura ”. ”Claro, claro que eu aceito, nem precisa de dizer o que é preciso eu fazer!”-disse ela, contente.
    A Rainha das Bruxas Boas sorriu e disse “tlim tlim, a tua maldade chegará ao fim.” E, dizendo isto, Malfada ficou linda, boa e feliz.

Mara Monteiro 5ºC

FLOR DE PAIXION



A Ana Afonso, do 5ºA, conta-nos uma linda história de amor, onde as palavras são desenhos de cor e luz. Obrigatório ver!


Cavala +Toupeira = Cavaleira

Vou contar-te a história da cavaleira,
O bichito que é metade cavala e metade toupeira,
o bicho mais temível dos mares, terras e ares.

Seja por ar, terra ou mar, a cavaleira poderá atacar.
Prefere minhalgas a minhocas com algas.

No ar, terra ou mar a poderás encontrar,
por isso cuidado, que ela te poderá visitar...

 Clara Rodrigues -   6ºD   Nº5

terça-feira, 4 de março de 2014


A bruxa que não tinha amigos

Era uma vez uma bruxa feia e má, que se divertia a arreliar os habitantes da floresta.
Um dia, em vez de comer os gelados das crianças, de roubar o pão dos padeiros e de estragar as flores do jardim da senhora Matilde, resolveu transformar as pessoas em animais e por sua vez os animais em pessoas.
Isso causou muita confusão na floresta.
As “pessoas” saltavam de um lado para o outro e enrolavam--se na lama e na relva.
Ao saber daquilo, a princesa do outro Reino resolveu fazer uma visitinha à Bruxa. Ao chegar à casa de madeira da Bruxa ,bateu à porta e perguntou se esta tinha causado tanta confusão na floresta . A Bruxa, muito angustiada, respondeu-lhe que sim, e mandou-a entrar. A princesa, vendo-a assim tão triste, perguntou-lhe por que razão ela estava a chorar. A Bruxa respondeu-lhe que era por não ter amigos. A princesa disse-lhe que ninguém era amigo dela porque ela só fazia coisas más e não boas. A princesa pediu-lhe para desfazer o feitiço que a Bruxa lançara e ela assim fez.
Assim, tudo se resolveu, a Bruxa transformou-se numa “bruxa boa” e teve muitos mais amigos daí em diante.

Jessica – 5ºC


A bruxa Valdemira

   Era uma vez uma bruxa chamada Valdemira que era feia, muito feia e muito má.
A Valdemira fazia muito mal aos homens, aos animais e às plantas. Aos homens arreliava-os, aos animais imitava tiros de caçadores para eles fugirem para os montes e bosques mais pertos.
A bruxa costumava trocar as tabuletas dos cruzamentos para as pessoas se perderem, azedava as frutas dos pomares e tirava o cheiro das flores dos campos.
O único problema que ela tinha eram as fadas que viviam nos bosques encantados: a estas não conseguia fazer mal.
Um dia apaixonou-se por um rapaz chamado Carlos de Sousa. A partir daí, ela tentou fazer o máximo de coisas boas possíveis para o impressionar. Desde então, começou a pensar que fazer o bem era mais fácil do que o mal.

Ana Catarina 5º C



A INVASÃO DA FLORESTA

Era uma vez uma floresta lindíssima, com muitas árvores grandes e verdinhas onde viviam os esquilos. Havia margaridas, papoilas e malmequeres de todas as cores, havia borboletas muito bonitas, arbustos pequeninos em forma de estrela. Enfim, era uma floresta encantada!
A guardiã da floresta era a Fada Oriana e havia a Rainha Das Fadas Más, que tinha inveja.                                            

     Um dia Oriana estava sentada em cima de um rochedo, quando apareceu um bando de andorinhas, que disse que o outro lado do mundo era tão lindo como aquela floresta, e convidaram-na  para ir com elas conhecer o mundo. Oriana não aceitou porque tinha de cuidar da floresta, mas as andorinhas, como aceitaram uma proposta da Rainha Das Fadas Más que era convencer Oriana a sair da floresta e em troca a Rainha Má lhe dava uma varinha, elas disseram a Oriana que se deixasse a floresta seria a guardiã do outro mundo. Oriana não aceitou e então as andorinhas prenderam-na numa jaula e a Rainha Má começou a destruir toda a floresta.
         Mas, de repente, Oriana apanhou as andorinhas distraídas, ela soltou-se e prendeu as andorinhas. Oriana chegou lá abaixo à floresta e disse:” Se queres ser a guardiã da floresta enfrenta-me, e quem perder vai-se embora.” Os homens tinham fugido para muito longe. A batalha durou dias e dias, mas, por fim, a Oriana venceu a Rainha Má. No fim, os homens voltaram para a floresta e Oriana continuou a encantar a floresta. Tudo ficou tranquilo, feliz e alegre por a floresta voltar a ser o que era.
      
  Duarte Jesus 5ºC




Os anõezinhos e a bruxa

Numa tarde de inverno, na floresta, os anõezinhos estavam a limpar a neve que lhes tapava as portas das casas.
-Já viram isto?-disse o Manuel, um dos anõezinhos.
-Sim, tu não fazes nada, enquanto nós trabalhamos!-respondeu o Dário, o anãozinho mais trabalhador.
-Não me refiro a isso, refiro-me a que neve tanto.
             Enquanto eles trabalhavam, do outro lado do bosque, uma bruxa má tencionava fazer maldades na aldeia dos anõezinhos. Primeiro começou por pisar os montes de neve, e assim espalhá-la por toda aldeia e por último tentou deitar um elixir que transformava os anõezinhos bondosos em anõezinhos malvados. Não conseguiu espalhar o elixir porque os anõezinhos pegaram num espelho gigante e quando ela o deitou  este bateu no espelho e entrou pela boca da bruxa.
           Como ela já era má, o elixir tornou-a boa. Assim, a bruxa ficou bondosa e amiga dos anõezinhos.

Joana Silva 5º C

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014




O OUTRO CARNAVAL 

 Fantasia,
 que é fantasia, por favor?
 Roupa-estardalhaço, maquilhagem-loucura?
 Ou antes, e principalmente,
 brinquedo sigiloso, tão íntimo,
 tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
 que ninguém percebe, e todos os dias
 exibo na passarela sem espectadores?

Carlos Drummond de Andrade


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014




OS MEUS LIVROS

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"


O LUAR QUANDO BATE NA RELVA

O luar quando bate na relva
Não sei que cousa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas...
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XIX"
Heterónimo de Fernando Pessoa