Um dia quando lá fui, deparei-me com um cenário que me deixou intrigado, não estava ninguém. Mas encontrei um bilhete que dizia:
| Vendemos a tua filha,
Para ganhar dinheiro,
Achamos que não te ias
Importar, assim não tens que te preocupar onde a vais deixar…
Obrigada…
|
“-O quê, quem, como!?”- perguntei eu muito admirado.
“- Eu, sei onde está a tua filha, do outro lado da colina, num castelo muito feio, mesmo no cimo da montanha, com um rei e uma rainha com cara de maus…”- insistia o pássaro.
Mal ouvi isto peguei na carroça, em alguma comida, água e desapareci…
Ao fim de alguns dias de viagem passei por uma zona negra, de onde apareceram milhares de fadas más que me lançaram todos os tipos de feitiços. Partiram-me a carroça toda, só deram tempo para eu saltar para cima do cavalo e fugir. Só parei quando avistei um castelo no cimo de uma montanha (era realmente feio) …
Comecei a subir, mas quando cheguei ao topo deparei-me com guardas, com cara de maus, que pareciam que já estavam à minha espera (como é que sabiam que eu vinha a subir a montanha é, e continuará a ser um verdadeiro mistério), os guardas pegaram em mim e levaram-me ao rei e à rainha para decidir o que fariam comigo.
“-O que me esperava?” Quando lá cheguei assustei-me, eram mesmo feios: com nariz comprido, boca de lado e sem dentes mas, sobretudo, eram gordos e tinham mesmo cara de maus! Depois de muito pensarem, decidiram...
Daí a uns instantes, lá estava eu, no meio de duas verdadeiras feras. Muito assustado comecei a correr pela arena. De repente apareceu um sábio, não sei de onde, mas parecia que trabalhava para o rei, que, por mais estranho que pareça, me deu conselhos:
-Se não queres acabar como eu, engana-os para ver se chocam um com o outro…
E desapareceu sem deixar rasto, nem me deixou agradecer!
Fiz exatamente o que o sábio me disse, e resultou…
Assim que as feras chocaram, nem pensei duas vezes e fui à procura da sua filha, que, nesse preciso momento, se entrava na igreja para se casar com o filho do rei, uma criatura ainda mais feia do que os pais. Ao fim de muito procurar, cheguei à igreja do castelo, avistei a noiva que era precisamente a minha filha, havia acabado de se sentar…
Eu, sem pensar, interrompi a cerimónia:
-Ela não se pode casar!
-Porque não? – Perguntou o rei
-Porque… Porque… Porque não tem a roupa certa… - rematei eu. -Eu sim, tenho-a - continuei.
O rei de tão ingénuo que era deixou-a ir…
Peguei nela e fugimos dali em cima do cavalo.
No caminho de regresso fomos perseguidos por monstros horríveis com pés gigantes que nos tentaram agarrar mas, por serem tão trapalhões e por terem os pés tão grandes, tropeçavam e caíam e discutiam entre eles... Nós aproveitamos e fugimos como se não houve-se amanhã.
Chegados a casa, à porta estavam muitos rapazes. Á espera de quem? perguntam vocês. Já se esqueceram da minha filha? Ela tinha muitos pretendentes…
Eu decidi que estava na altura de a deixar seguir em frente e escolher o seu amor. Assim foi, ela escolheu quem queria, e viveram juntos e felizes para todo o sempre… E eu também encontrei a paz ao lado da mãe desse rapaz…
E agora aqui para nós, esta história é tudo mentira!
JOANA LOURENÇO












