domingo, 10 de novembro de 2013


O QUE PENSA JOSÉ LUÍS PEIXOTO…


Impossível é não Viver

Se te quiserem convencer de que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.
 Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
 Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.
 O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.
 Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.


José Luís Peixoto, in 'Abraço'


sexta-feira, 8 de novembro de 2013


CIRCO

No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...

"Senhores!"
-Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores-
"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga..."

O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo à multidão.

Ri, palhaço!

Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
  
José Régio, As Encruzilhadas de Deus


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

CURIOSIDADES


No Oriente, o cisne é símbolo da música e da poesia, para além de representar a coragem, a nobreza, a prudência e a elegância. Na Índia, o cisne é montado pelo deus Brahma e simboliza a elevação espiritual. Na tradição celta, os espíritos do outro mundo regressam ao mundo dos vivos sob a forma de cisne. São os cisnes também os responsáveis por trazer as crianças ao mundo em muitas tradições.
Ao observá-los na natureza, podemos deduzir muitos significados. São aves intimamente ligadas à água. A água é o símbolo de fluidez, intuição, sonho, emoções, criatividade. Além disso, vive em harmonia entre três dos quatro elementos. Caminhando sobre a terra, voando a grandes alturas no ar e flutuando através das águas com elegância magnífica.

Uma rápida lista de palavras a que a imagem do cisne nos remete:
Amor,Graça,União,Pureza,Beleza,Sonhos,Balanço,Elegância,
Parceria.




O que diz Oscar Wilde dos sonhadores...



quarta-feira, 6 de novembro de 2013



Comemora-se hoje o aniversário do nascimento de Sophia de Mello Breyner.  Aqui fica a homenagem que lhe é prestada no Canto das Palavras.


Porque os outros se mascaram mas tu não
 Porque os outros usam a virtude
 Para comprar o que não tem perdão.
 Porque os outros têm medo mas tu não.
 Porque os outros são os túmulos caiados
 Onde germina calada a podridão.
 Porque os outros se calam mas tu não.

 Porque os outros se compram e se vendem
 E os seus gestos dão sempre dividendo.
 Porque os outros são hábeis mas tu não.

 Porque os outros vão à sombra dos abrigos
 E tu vais de mãos dadas com os perigos.
 Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen




AS AMORAS

 O meu país sabe a amoras bravas
 no verão.
 Ninguém ignora que não é grande,
 nem inteligente, nem elegante o meu país,
 mas tem esta voz doce
 de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
 Raramente falei do meu país, talvez
 nem goste dele, mas quando um amigo
 me traz amoras bravas
 os seus muros parecem-me brancos,
 reparo que também no meu país o céu é azul.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 5 de novembro de 2013



“Este prémio não é meu, este prémio é de Angola”

Ondjaki vence Prémio José Saramago

Com o romance "Os transparentes" o escritor angolano vence a 8ª edição do prémio, que distingue autores com obra editada em língua portuguesa.
 Ondjaki, de 36 anos, é o vencedor do Prémio José Saramago 2013. A distinção foi anunciada hoje, no mesmo dia em que é publicado o seu novo livro, "Uma escuridão bonita", com ilustrações de António Jorge Gonçalves. É também o segundo galardão que o escritor recebe este ano, depois do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil.
A obra "Os transparentes" foi publicada em 2012 pela Editorial Caminho.
"Este prémio não é meu, este prémio é de Angola." Foi assim que Ondjaki agradeceu o prémio, no valor de 25 mil euros. "Eu não ando sozinho, faço-me acompanhar dos materiais que me passaram os mais velhos. Na palavra 'cantil' guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede."

segunda-feira, 4 de novembro de 2013




TARDE DE MAIS...

 Quando chegaste enfim, para te ver
 Abriu-se a noite em mágico luar;
 E para o som de teus passos conhecer
 Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

 Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
 Viu-se nessa hora o que não pode ser:
 Em plena noite, a noite iluminar
 E as pedras do caminho florescer!

 Beijando a areia de oiro dos desertos
 Procurara-te em vão! Braços abertos,
 Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

 E há cem anos que eu era nova e linda!...
 E a minha boca morta grita ainda:
 Por que chegaste tarde, ó meu Amor?!.


Florbela Espanca

sexta-feira, 1 de novembro de 2013



Hoje em dia, os jovens convivem cada vez menos em virtude das novas tecnologias. Há casos em que apenas conversam por meio da Internet, muitas vezes desconhecendo o seu interlocutor.

Foi este o comentário apresentado aos alunos do 9ºD para que escrevessem um texto argumentativo manifestando a sua posição face ao tema proposto.

Hoje em dia quem é que não tem um telemóvel? Quantas são as pessoas que estão a “ouvir” este texto que não têm facebook ou não estão ligadas a outras redes sociais?
A resposta é com certeza… ninguém! Ou, se não têm, estão a pensar em ter. Por isso, posso afirmar com a maior segurança que a Internet é a mais recente e a mais moderna “droga” dos jovens.
Pois! Eu não me enganei! Eu disse mesmo “droga”! Ou acham que estou a dizer alguma loucura?
Aposto que mais de metade das pessoas que aqui estão, a primeira coisa que fazem quando chegam a casa é ligar o computador e ir ao facebook.E admitam lá! Não é tão bom chegar a casa e ver mais um like na foto de perfil, ou então, ir ver o que o outro publicou?... Nunca vos aconteceu terem um teste no dia seguinte e dizerem para vocês mesmos: “vou só ver uma coisinha, não demora nem cinco minutos!”? E quando voltam a olhar para o relógio já passaram duas horas e ainda têm tudo para estudar!...
Mas sabem o que mais me enerva? São aquelas pessoas que se metem a falar com pessoas que não conhecem de lado nenhum! Vocês nem imaginam o que eu me rio quando pergunto “ Com quem estás a falar?”. “Com o Pedro… “,responde-me a pessoa. “Qual Pedro?” Continuo eu, insistindo.” Ah! É um amigo meu virtual!”, responde-me a mesma pessoa.
Aí, a única coisa que penso é “coitado/coitada”! Vai apanhar um desgosto, quando descobrir que, provavelmente, é só um “maluco” à procura de companhia!
 Existe tanta gente que acha que a tecnologia é uma coisa boa! Mas, quando lhes pergunto a razão, dizem sempre a mesma a coisa: “Sem a Internet como é que comunicamos?” Aí sim, não escondo um sorriso de gozo, e digo:” E então escrever uma carta? Aposto que um pai no estrangeiro ou uma avó doente preferem muito mais uma cartinha escrita à mão com personalidade do que um email sem graça nenhuma.”
Por isso, antes de este texto terminar e concluir o meu argumento, tenho um segredo para vos contar: ontem disse à minha mãe para me ir buscar à biblioteca, mas, depois, acabei por ficar na escola. Se a minha mãe não me tivesse telefonado, ainda hoje estaria na escola…
                                              … Por isso talvez a tecnologia não seja assim tão má!    

                                                                       Maria Beatriz Abrantes, 9ºD

quinta-feira, 31 de outubro de 2013



Dia das Bruxas

O Dia das Bruxas, ou Halloween, é celebrado anualmente na noite de 31 de outubro. Os símbolos deste dia são as abóboras, bruxas, aranhas, morcegos e velas, entre outros.
O Dia das Bruxas é celebrado um pouco por todo o mundo, mas é uma data especial em países como os Estados Unidos da América, Irlanda, Canadá e Reino Unido.




Tradições de Halloween

Neste dia à noite as crianças mascaram-se com visuais assustadores e percorrem as ruas em grupo, batendo de porta em porta a pedir guloseimas às pessoas. Quando a porta abre devem dizer "doçura ou diabrura?". Se as pessoas não lhes derem doces ou guloseimas, as crianças têm permissão para fazer uma travessura.


Origem da data


O Dia das Bruxas é uma celebração pagã, que surgiu há mais de dois mil anos. A celebração desta data teve origem no povo Celta, que festejava no seu calendário o fim do verão, o início do Ano Novo e as boas colheitas do ano. A comemoração original chamava-se Samhain, que significa "Fim de Verão".
Por outro lado, a igreja católica passou a celebrar o dia 1 de novembro como sendo o Dia dos Finados, ou seja, o dia em que se relembram as pessoas que faleceram.
No século XIX, os irlandeses implantaram a festa do Halloween nos Estados Unidos da América, país que celebra esta tradição de forma entusiástica.


ALGUMAS IMAGENS ALUSIVAS À DATA










quarta-feira, 30 de outubro de 2013


Eis o que tenho a pedir-vos nos meus oitenta anos: Plantem nesse lugar um plátano, onde o vento enroladinho no sono possa dormir sem sobressaltos; ou uma oliveira, ou um chorão, e à sua roda ponham uma sebe da flor doce e musical de espinheiro branco. Embora tenha pouca ou nenhuma fé seja no que for, a terra ficará mais habitável. Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo.
—Eugénio de Andrade, Palavras em Serrúbia (17.01.2003)
 
NOVAS LEITURAS




Luanda nos dias de hoje. Acompanhamos Heitor, um escritor em início de carreira, o tímido. Ouvimos a quente voz de Marisa, responsável por um programa de rádio de grande audiência, que a todos encanta e seduz. Conhecemos Lucrécio, seu marido, uma mente brilhante aprisionada numa cadeira de rodas. É este o trio que une as diversas histórias e personagens deste romance. Além dele, encontramos ainda os amigos de Heitor, o Senhor do Dia 13 e os habitantes de um musseque na periferia de Luanda: a grande família de dona Luzitu e, em especial, a bela Orquídea, outra das poderosas mulheres que habitam este livro. Todos eles nos conduzem por uma cidade que fervilha e cresce a um ritmo alucinante, onde os homens se apaixonam, sonham e desesperam, procuram novos caminhos, novas formas de vida e novas soluções. Com a sua habitual mestria, Pepetela volta a surpreender-nos com este romance, desenhando uma paisagem imparcial e objetiva da atual sociedade angolana, fruto de muitas mutações culturais e políticas derivadas da sua história recente.



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

 
 
Dever de Sonhar
 
 Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
 pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
 eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
 E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
 supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
 entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Fernando Pessoa


domingo, 20 de outubro de 2013


 
POEMA DUM FUNCIONÁRIO CANSADO
 
A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só

António Ramos Rosa

sábado, 19 de outubro de 2013


No dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, as bibliotecas do Agrupamento realizaram uma atividade com as turmas do (EB nº1) e 2ºano (EB1 D. Manuel). As professoras bibliotecárias leram uma história aos alunos (A surpresa de Handa), os quais, de seguida, inspirados, pintaram frutas, legumes e outros alimentos saudáveis. Mais tarde, construíram “mobiles”, para pendurar nas salas de aula.
 O Tomás Bravo, monitor da biblioteca, dinamizou a atividade à tarde, com os alunos do 2ºA.