sábado, 21 de março de 2015



Os Versos que Te Fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"





E porque é DIA MUNDIAL DA POESIA


Já passou pela nossa escola…e deixou-nos um rasto de saudade. Frequenta o 10.º ano, na Escola Secundária da nossa cidade, mas muitos foram os textos da autoria desta aluna brilhante que nós publicámos no blogue ESCREVER MAIS (da nossa escola) e no blogue da   BIBLIOTECA.


Beatriz Carmo premiada no Concurso Faça lá um poema, 7ª edição, 2015

Este é o poema que a Beatriz irá ler na sessão pública de entrega de prémios, hoje, 21 de março de 2015, DIA MUNDIAL DA POESIA, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Parabéns, Beatriz!



Poema de Narciso ao seu reflexo no rio

Ó esbelta figura que contemplo tão de perto,
És a razão deste fogo que nasce cá dentro,
A razão desta chama viva e ardente,
Tu, figura das águas desta nascente!

Que beleza é essa nas tuas feições
Que me aumenta o ritmo das pulsações?
Todos os teus contornos têm tal perfeição
Que não existe no mundo mais bela criação.

É transcendente o fervor dentro de mim.
Nunca nenhuma criatura me provocara algo assim.
Quero sentir este calor, preencher o meu vazio!
Ai! Já não te vejo! Caí dentro do rio!

Maria Beatriz Carmo – 10º A2

sexta-feira, 20 de março de 2015




Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria Primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.


                                                     Eugénio de Andrade



Depois do Inverno, morte figurada,
A Primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
                                    
                                                Miguel Torga





Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus húmidos vapores,
A fértil Primavera, a mãe das flores
O prado ameno de boninas veste.

Varrendo os ares o subtil Nordeste,
Os torna azuis: as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.

Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.

Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quando me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!

     Poema "Convite a Marília" de Manuel Maria Barbosa du Bocage, in Sonetos

Talentos...

E foi com música e poemas que encerramos a nossa Semana da Leitura 2015.