sexta-feira, 9 de maio de 2014



O DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL foi comemorado na biblioteca da escola da estação com a agradável visita da escritora Adelaide Graça, que apresentou o seu livro A FESTA DO BRINCAR, editado pela Editora Fonte da Palavra.
As histórias que compõem esta obra foram apresentadas pela autora aos alunos das turmas de 1.º ano, e juntos embarcaram no mundo do faz de conta
Visitaram a avozinha do Capuchinho Vermelho, participaram na festa de anos do Urso Mateus, quase sentiram o aroma dos pampilhos que crescem nos campos do Alto Minho e aprenderam a receita dos biscoitos perfumados com raspa de laranja e limão.
Hummmm!!! Que delícia!
Através das brincadeiras entre a personagem principal, a Carolina, e a sua avó Laura, histórias onde se misturam saberes e sabores, todos perceberam a importância do convívio com os mais velhos, o cuidado que devemos ter em preservar a Natureza e a valorização de um princípio essencial na nossa sociedade – a Partilha.

Muito obrigada, Adelaide Graça, pela partilha das histórias e de um momento tão rico em palavras e afetos.

LENDAS DE TAVIRA

Nesta 3ª feira, os alunos dos Currículos Específicos Individuais realizaram um percurso na cidade de Tavira para escutarem as Lendas de Mouras: Lenda da Moura do castelo, Lenda da Fonte das Três Bicas e a Lenda do rio Gilão.
Em articulação com as bibliotecas escolares do agrupamento, esta atividade de difusão do património local, enquadra-se num trabalho subordinado ao estudo das lendas do concelho de Tavira, iniciado pela equipa de docentes responsáveis pelos CEI.

Os alunos, depois de conhecerem as lendas, vão elaborar trabalhos de expressão plástica relacionados com o tema, os quais ficarão expostos na biblioteca da escola sede.

quinta-feira, 8 de maio de 2014




Numa iniciativa da Biblioteca Escolar, realizou-se o Concurso “Acordo Ortográfico”, destinado a toda a comunidade educativa. Ao longo de 20 desafios, os alunos, professores e funcionários tiveram oportunidade de mostrar os seus conhecimentos sobre o Novo Acordo Ortográfico.
Foram 114 os participantes repartidos por 89 alunos, 11 professores, 8 assistentes operacionais e 6 funcionários administrativos.

Dos 20 desafios acertaram:
Alunos
1.º - João Teixeira, 7.ºD, n.º14 - 15                          
2.º - Lou D’Dasta Rapenne, 7.ºC, n.º14 - 12                       
3.º - Lourenço Pereira, 6.ºE, n.8 - 11                        

Dos 11 desafios acertaram:
Professores
1.º - Fernanda Gonçalves - 6                                       
2.º ex aequo – Manuel Martins - 5                                         
                        Tiago Pereira - 5                                      

Dos 9 desafios acertaram:
Assistentes Operacionais
1.º ex aequo – Fátima Mateus - 6                                          
                             Lara Neto - 6                                        

Dos 10 desafios acertaram:
Funcionários administrativos
1.º ex aequo – Cristela Melita - 6                                
                        Florbela Martins - 6                                

2.º - Rosa Gonçalves - 4

domingo, 4 de maio de 2014




MINHA MÃE QUE NÃO TENHO

Minha mãe que não tenho    meu lençol
de linho    de carinho    de distância
água memória viva do retrato
que às vezes mata a sede da infância.

Ai água que não bebo em vez do fel
que a pouco e pouco me atormenta a língua.
Ai fonte que eu não oiço    ai mãe    ai mel
da flor do corpo que me traz à míngua.

De que Egipto vieste?    De que Ganges?
De qual pai tão distante me pariste
minha mãe    minha dívida de sangue
minha razão de ser violento e triste.

Minha mãe que não tenho    minha força
sumo da fúria que fechei por dentro
serás sibila    virgem    buda    corça
ou apenas um mundo em que não entro?

Minha mãe que não tenho    inventa-me primeiro:
constrói a casa    a lenha e o jardim
e deixa que o teu fumo    que o teu cheiro
te façam conceber dentro de mim.

Ary dos Santos, in “Antologia Poética”


PARA SEMPRE


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.



Carlos Drummond de Andrade, in "Lição de Coisas"

quarta-feira, 30 de abril de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014



ADAMASTOR… UM FINAL DIFERENTE

Estávamos então em séculos longínquos que há muito se dissolveram no tempo. Encontrando-se numa floresta de densa e silvestre arvoredo subaquático, Adamastor, um dos mais temíveis gigantes da terra que viera pela primeira vez ao mar, a convite de um tritão seu amigo, vê lá ao longe a divindade Tétis, uma das mais belas deusas oceânicas que passeava na companhia de amigas suas por entre corais e vieiras magníficas de um tamanho surreal.
Adamastor, para tentar impressionar Tétis, propõe a Milreu (o tritão que o acompanhava) para fazerem uma corrida de cavalos-marinhos, e este aceitou. Com a mais alta e veloz cavalaria, o gigante terreno agrupa os corredores em parelhas geometricamente organizadas, com o fim de se destacar aos olhos da filha de Dóris. Ao soar de um canhão e com uma forte e densa chicotada partem as quadrigas marítimas por estradas aquáticas até aqui desconhecidas. No final, foi o fero Adamastor o vencedor honrado, que tanto este prémio ambicionava.
Caído nos alvos braços de Tétis, aquele que do pó nasceu acabava agora de se tornar no infante mais temido de todos os mares, o protetor de Tétis.
Viveram, depois disto, num cristalino palácio juntamente com as hierárquicas cortes, os senhores, os barões, condes e condessas que aquela região subjugavam. Desta forma, um filho da poeira esvoaçante se tornou num nobre deus infante servido por ninfas e valquírias em casas de diamantes.

Tomás Bravo, 9.º C

sábado, 26 de abril de 2014



Adamastor…um final feliz

Adamastor, um gigante dos mares, que aterrorizava navegadores portugueses no caminho para o Oriente, em África, num momento de fraqueza, acabou por desabafar o seu amor por Tétis a Vasco da Gama. Tétis, filha da deusa dos mares, era uma bela ninfa, mas nunca deu importância a Adamastor. 
Este, por seu turno, sabia que, por ser feio e horrendo, nunca teria qualquer hipótese com Tétis. Então, decidiu declarar guerra a Neptuno, como já tinha compartido durante a guerra entre deuses e titãs. Um dia, viu-a a sair da praia, nua, e logo a sua paixão despertou, e nunca mais sentiu maior paixão. Adamastor acabou por informar Dóris, mãe de Tétis, sobre o seu desejo de conquistar a ninfa através da guerra. Dóris contou à filha, e Tétis disse que um amor entre uma ninfa e um gigante era impossível. Adamastor, já sem pensar na guerra, numa noite prometida por Dóris, viu o rosto lindo de Tétis, sozinha e despida. Correu para ela, beijando-a. Ele julgava abraçar Tétis, mas afinal era apenas um monte. Adamastor abraçava o monte como se abraçasse Tétis, transformando-se num penedo, o Cabo das Tormentas. O gigante, triste, abalado e furioso, partiu para outros lugares onde encontrasse quem não se risse dele e do seu desgosto. Como se não bastasse, Tétis cercava-o e envolvia-o nas suas águas, constantemente. 
O que o gigante não esperava era que Tétis, num dia de sol intenso, voltasse a rodeá-lo e a envolvê-lo nas suas águas, mas, desta vez, tinha aparecido a Adamastor para lhe pedir desculpa e declarar-lhe todo o seu amor. O monstro, incrédulo, interrogou Tétis sobre aquele amor tardio, e esta defendeu-se alegando que sempre receava os comentários das outras deusas. Adamastor, feliz, correu para ela e beijou-a, mas desta vez não era ilusão, era mesmo a bela ninfa, a sua amada Tétis.        

Bruna Silva, 9.º C  

sexta-feira, 25 de abril de 2014


«QUEM A TEM…»


Não hei de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
                          
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo

me queiram cego e mudo,
não hei de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena (1956)





MÚSICA QUE TRANSBORDA LIBERDADE

25 de Abril: a "playlist" de Paulo de Carvalho 40 anos depois
Se o 25 de Abril fosse hoje, que músicas sairiam à rua?
E no Portugal democrático não falta música “corajosa”, a transbordar liberdade nas letras e a denunciar o que nos aprisiona: o desemprego, a precariedade, a ausência de futuro.
O desafio do P3 foi esse mesmo: compor uma "playlist" para uma “revolução moderna” (a expressão é nossa). Que músicas (e que músicos) fazem atualmente cantigas de intervenção? Se o 25 de Abril fosse hoje, que sons sairiam à rua?


In P3









quarta-feira, 23 de abril de 2014



DIA MUNDIAL DO LIVRO

Para comemorar o Dia Mundial do Livro, a biblioteca da escola da estação tem patente uma exposição de livros novos, acabadinhos de chegar.
Há muito que não recebíamos tão boas visitas, personagens que já conhecemos e outras de quem só tínhamos ouvido falar… Vem conhecer as fantásticas aventuras da nossa amiga Mimi, as façanhas do Gerónimo Stilton, o Senhor do seu nariz, histórias de animais e poemas variados, tudo isto à tua espera na biblioteca.
Livros, livros novinhos em folha!








OS LIVROS

Apetece chamar-lhes irmãos,
 tê-los ao colo,
 afagá-los com as mãos,
 abri-los de par em par,
 ver o Pinóquio a rir
 e o D. Quixote a sonhar,
 e a Alice do outro lado
 do espelho a inventar
 um mundo de assombros
 que dá gosto visitar.
 Apetece chamar-lhes irmãos
 e deixar brilhar os olhos
 nas páginas das suas mãos.



Pela casa fora, José Jorge Letria





 Levou-me um livro em viagem
 não sei por onde é que andei
 Corri o Alasca, o deserto
 andei com o sultão no Brunei?
 P’ra falar verdade, não sei

 Com um livro cruzei o mar,
 não sei com quem naveguei.
 Com marinheiros, corsários,
 tremendo de febres e medo?
 P’ra falar verdade não sei.

 Um livro levou-me p’ra longe
 não sei por onde é que andei.
 Por cidades devastadas
 no meio da fome e da guerra?
 P’ra falar verdade não sei.

 Um livro levou-me com ele
 até ao coração de alguém
 E aí me enamorei -
 de uns olhos ou de uns cabelos?
 P’ra falar verdade não sei.

 Um livro num passe de mágica
 tocou-me com o seu feitiço:
 Deu-me a paz e deu-me a guerra,
 mostrou-me as faces do homem
 – porque um livro é tudo isso.

 Levou-me um livro com ele
 pelo mundo a passear
 Não me perdi nem me achei
 – porque um livro é afinal…
 um pouco da vida, bem sei.

O G é um gato enroscado, João Pedro Mésseder


O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor (também chamado de Dia Mundial do Livro) é um evento comemorado todos os anos no dia 23 de abril, e organizado pela UNESCO para promover a o prazer da leitura, a publicação de livros e a proteção dos direitos autorais. O dia foi criado na XXVIII Conferência Geral da UNESCO que ocorreu entre 25 de outubro e 16 de novembro de 1952 .

terça-feira, 22 de abril de 2014


Fnac oferece contos inéditos de João Tordo no Dia Mundial do Livro

A Fnac escolheu simbolicamente o Dia Mundial do Livro para lançar o novo site da Estante, a nova revista para apaixonados por livros.
No site, e apenas durante o dia de quarta-feira (dia 23), vão estar disponíveis quatro livros para download, entre os quais dois contos inéditos e exclusivos de João Tordo e ainda os «Contos», de Eça de Queirós.
Amanhã, exclusivamente, a FNAC vai permitir a todos os que visitem o novo site da Estante, descarregarem quatro livros de forma gratuita:

- «Contos», de Eça de Queirós;
- «História Alegre de Portugal», de Manuel Pinheiro Chagas
- «O Outro», conto inédito e exclusivo de João Tordo
- «A Quinceañera», conto inédito e exclusivo de João Tordo

O novo site da Estante terá todos os conteúdos da revista impressa em formato digital e tem como principal objetivo fazer chegar este novo mundo dos livros a toda a comunidade lusófona, no ano em que se celebram os 800 anos da Língua Portuguesa (tema de capa da primeira edição da revista).

«O nosso objetivo, hoje e sempre, é a promoção dos livros, da literatura portuguesa e da Língua Portuguesa, tanto a nível nacional, como além-fronteiras. Não quisemos que este projeto se ficasse apenas pelo papel porque a nossa intenção é que todos possam ter acesso aos conteúdos originais da nossa Estante», explica Jorge Guerra e Paz, responsável de Marketing e Comunicação Cultural da FNAC em Portugal.
A Estante é um projeto pioneiro da FNAC a nível mundial, com periodicidade trimestral, e cuja primeira edição (gratuita) já se encontra disponível em todas as FNAC do país.

Disponível a partir do dia 23 de abril em www.revistaestante.fnac.pt

sexta-feira, 18 de abril de 2014


O VÍCIO DE LER

O vício de ler tudo o que me caísse nas mãos ocupava o meu tempo livre e quase todo o das aulas. Podia recitar poemas completos do repertório popular que nessa altura eram de uso corrente na Colômbia, e os mais belos do Século de Ouro e do romantismo espanhóis, muitos deles aprendidos nos próprios textos do colégio. Estes conhecimentos extemporâneos na minha idade exasperavam os professores, pois cada vez que me faziam na aula qualquer pergunta difícil, respondia-lhes com uma citação literária ou com alguma ideia livresca que eles não estavam em condições de avaliar. O padre Mejia disse: «É um garoto afetado», para não dizer insuportável. Nunca tive que forçar a memória, pois os poemas e alguns trechos de boa prosa clássica ficavam-me gravados em três ou quatro releituras. Ganhei do padre prefeito a primeira caneta de tinta permanente que tive porque lhe recitei sem erros as cinquenta e sete décimas de «A vertigem», de Gaspar Núnez de Arce.
Lia nas aulas, com o livro aberto em cima dos joelhos e com tal descaramento que a minha impunidade só parecia possível devido à cumplicidade dos professores. A única coisa que não consegui com as minhas astúcias bem rimadas foi que me perdoassem a missa diária às sete da manhã. Além de escrever as minhas tolices, era solista no coro, desenhava caricaturas cómicas, recitava poemas nas sessões solenes e tantas coisas mais fora de horas e de lugar que ninguém entendia a que horas estudava. A razão era a mais simples: não estudava.
No meio de tanto dinamismo supérfluo, ainda não entendo por que razão os professores se interessavam tanto por mim sem barafustar com a minha má ortografia. Ao contrário da minha mãe, que escondia do meu pai algumas das minhas cartas para o manter vivo e outras mas devolvia corrigidas e às vezes com os parabéns por certos progressos gramaticais e o bom uso das palavras. Mas ao fim de dois anos não houve melhorias à vista. Hoje o meu problema continua a ser o mesmo: nunca consegui entender por que se admitem letras mudas ou duas letras diferentes com o mesmo som e tantas outras normas sem razão.

Gabriel García Marquez, in Viver para Contá-la




VÃO SER ANOS DE SOLIDÃO

Morreu Gabriel García Márquez. Provocou um terramoto com "Cem anos de solidão" e volta a causá-lo agora que a doença o venceu.
Nasceu na Colômbia e morreu no México. Gabriel García Márquez, Nobel da Literatura em 1982, sofria de problemas respiratórios há vários anos. Esta quinta-feira, aos 87 anos, já não resistiu. Vão ser anos de solidão: não haverá mais livros novos dele para nos acompanhar. Como não houve nos últimos 10 anos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014


ESTE LIVRO

Este livro. Passa um dedo pela página, sente o papel
como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto.

Este livro tem palavras. Esquece as palavras por
momentos. O que temos para dizer não pode ser dito.

Sente o peso deste livro. O peso da minha mão sobre
a tua. Damos as mãos quando seguras este livro.

Não me perguntes quem sou. Não me perguntes nada.
Eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.

Pousa os lábios sobre a página. Pousa os lábios sobre
o papel. Devagar, muito devagar. Vamos beijar-nos.



José Luís Peixoto