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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Primeiro faz um sorriso suave, em seguida franze a cara, também suavemente… Depois Mia Couto explica o significado dos versos Sou polén sem insecto/abelha sustentando/o sexo das árvores, do livro poético Raíz de Orvalho, primeira obra do autor. Mia Couto tornou-se famoso através de contos e romances e nesta obra, Vagas e Lumes, vai mais uma vez  potencializar a sua poesia.
Vagas e Lumes corresponde a uma obra poética com mais de 200 páginas e divide-se em duas partes: na primeira o autor escreve sobre o mundo e na segunda sobre aspetos do seu íntimo, mais precisamente os amores e as paixões. O livro já se encontra na editora e sabe-se que será publicado em Portugal, Moçambique, Brasil e talvez mais tarde em outros países.
Vagas e Lumes tem duas componentes. Uma sobre aquilo que chamo de vagas, que são os assuntos do mundo, a volta, a vida. E a parte dos Lumes é a parte mais íntima, os amores, as paixões, etc. “
Quanto aos versos da obra mencionada Raíz de Orvalho, Mia diz tratar-se de uma imagem poética. “Isso quer dizer que o mais importante não é o veículo, mas sim aquilo que eu quero transmitir como mensagem. A minha mensagem seria o polén, aquilo que vai fecundar alguma coisa. Pode ser por via da música, versos, escrita ou intervenção cívica. Portanto, o mais importante não é o veículo que quero trazer ali, mas é o próprio .”
Em termos de poesia, o autor conta com Raiz de Orvalho, Cidades e Divindades, Tradutor de Chuvas, e para já, Vagas e Lumes. O “inventor de palavras” reiterou ainda que se está a informar sobre a história de Gungunhane para um romance que há mais de um ano tenciona escrever.
“ Eu sou um leitor muito caótico. Estou a ler várias coisas ao mesmo tempo e a ler muito à volta de fontes históricas do século XIX em Moçambique para compreender o contexto histórico desta personagem (Gungunhane)”.

Nelson Marqueza, in  Vagas


sábado, 16 de novembro de 2013


Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa.
Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou:
— Pai!
Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez.”


Mia Couto, in Contos do Nascer da Terra




Mia Couto vence Prémio Internacional Neustadt de Literatura 2014

O escritor moçambicano Mia Couto, cuja obra em Portugal é publicada pela Caminho, foi anunciado, na noite de 1 de novembro, como vencedor do prestigiado Prémio Internacional Neustadt de Literatura 2014, no valor de 50 mil dólares, promovido, nos Estados Unidos da América, pela Universidade de Oklahoma, pela família Neustadt e pela revista World Literature Today.
A lista de nomeados para o prémio da Bienal Internacional de Literatura Neustadt integrava, além de Mia Couto, o escritor japonês Haruki Murakami, o argentino César Aira, a vietnamita Duong Thu Huong, o ucraniano Ilya Kaminsky, o norte-americano Edward P. Jones, o sul-coreano Chang-rae Lee, o palestiniano Ghassan Zaqtan e Edouard Maunick, das Ilhas Maurícias.
Um dos elementos do júri, Gabriella Ghermandi, responsável pela nomeação de Mia Couto, diz que se trata de «um autor que se dirige não apenas ao seu país mas a todo o mundo, todos os seres humanos». O diretor da revista World Literature Today refere que Mia Couto «tem tentado remover o espetro do colonialismo da cultura moçambicana, procurando revigorar a sua língua. Mestre na prosa em português, quer afastar esse fardo, palavra a palavra, frase a frase, narrativa a narrativa, e nesta enorme tarefa tem poucos ou mesmo nenhum escritor que se lhe assemelha».
O Prémio Neustadt é atribuído de dois em dois anos e representa o único prémio internacional no qual romancistas, argumentistas e poetas são considerados de igual modo. Muitas vezes chamado o “Nobel Americano”, por causa das suas ligações ao Prémio Nobel da Literatura, o Prémio Neustadt é considerado um dos mais importantes prémios literários do mundo. Ao longo do seu historial, entre os seus jurados, nomeados e vencedores, vários, como Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Orhan Pamuk, Mo Yan e Alice Munro, entre outros, foram vencedores do Nobel da Literatura.
Mia Couto é o 23º vencedor do Neustadt Prize e estará pessoalmente no Neustadt Festival, na Universidade de Oklahoma, no outono de 2014, para o receber.

Ao escritor, os nossos mais sinceros parabéns!

In Leya online


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

o 5º B já leu..."O gato e o escuro"

Depois de ouvida a história, os alunos do 5ºB realizaram várias actividades, quer na Biblioteca Municipal, quer na Escola...Com palavras soltas tentaram adivinhar o fim da história(ou reinventar...)
"Então, o gatinho Pintalgato espreitou nessa fenda escura como se vislumbrasse o abismo.
Por detrás dessa fenda o que é que ele viu?
Adivinham?
Pois ele viu um gato preto, enroscado do outro lado do mundo."



Na escola, e sem livro à frente para evitar macaquinhos de imitação...ilustraram a sua parte favorita...





terça-feira, 26 de outubro de 2010

o gato e o escuro e o 6ºC






Hoje uma turma do 6º ano foi até à Biblioteca Municipal para participar na actividade "Hora do Conto". Teve esta turma o privilégio de ouvir uma história do escritor Mia Couto. Assim, ouviram pela voz da Noémia a história "O gato e o escuro". Atentos às palavras, descobriram que na história havia inúmeras palavras inventadas (neologismos )- pirilampiscar; tiquetaquear; noitidão; atarantonto..., e uma apropriação de palavras de outros campos lexicais : «Só quando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos.».
O eco poético está muito presente na expressividade que confere ao texto, correndo, no entanto, o risco de se perder o sentido essencial da narrativa. O olhar dos alunos assim o confirmava...
Mas sim, gostaram da história do gatinho amarelo que se delicia em contrariar os conselhos da sua mãe, e ultrapassa a fronteira da luz.

Pintalgato vive sendo alertado pela mãe para que não ultrapasse a fronteira do dia. Mas ele, louco para descobrir o que se esconde sob a sombra da noite, decide aventurar-se e acaba por ter um encontro inusitado com o escuro. Quando volta para a luz do dia, descobre que o seu pêlo, antes amarelo com pintinhas, está preto como a noite, e fica apavorado. Com ajuda da mãe, porém, consegue perceber que o medo do escuro, na verdade, é o medo das ideias escuras que temos sobre o escuro.