terça-feira, 6 de setembro de 2011

NA BIBLIOTECA




O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras

diante do poema, que chega sempre
demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.



MANUEL ANTÓNIO PINA
Cuidados intensivos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

à prova de água


"Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós."
Franz Kafka

segunda-feira, 25 de julho de 2011

já não é possível


Já tudo é tudo. A perfeição dos
deuses digere o próprio estômago.
O rio da morte corre para a nascente.
O que é feito das palavras senão as palavras?

O que é feito de nós senão
as palavras que nos fazem
Todas as coisas são perfeitas de
Nós até ao infinito, somos pois divinos.

Já não é possível dizer mais nada
mas também não é possível ficar calado.
Eis o verdadeiro rosto do poema.
Assim seja feito a mais e a menos.


manuel antónio pina
ainda não é o fim
nem o princípio do mundo
calma
é apenas um pouco tarde
erva daninha

1982

quarta-feira, 20 de julho de 2011

mar dentro de folhas




Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso, solitário e antigo,
Parece bater palmas.

Sophia de Mello Breyner

Meio-Dia, p. 11

sábado, 16 de julho de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Fernanda de Castro por Maria Lencastre



No dia 21 de Maio, no auditório da EB D. Manuel I, realizou-se o Concurso de Poesia Declamada. Numa competição com um número considerável de participantes, bem como de assistentes, os concorrentes surpreenderam todos os presentes pela qualidade apresentada, nesta actividade organizada pelo Grupo Disciplinar de Língua Portuguesa (3.º ciclo).
A vencedora foi a aluna Maria Lencastre (7ºD), que declamou um belíssimo poema de Fernanda de Castro.

domingo, 19 de junho de 2011

comparar-te a um dia de Verão

Comparar-te a um dia de Verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
Um Maio em flor às mãos do furacão,
O foral do Verão que chega ao fim.

Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
Outras, desfaz-se a compleição doirada,
Perde beleza a beleza; e o que perdeu
Vai no acaso, na natureza, em nada.

Mas juro-te que o teu humano Verão
Será eterno; sempre crescerás
Indiferente ao tempo na canção;

E, na canção sem morte, viverás;
Porque o mundo, que vê e que respira,
Te verá respirar na minha lira"

William Shakespeare, in "SONETOS"



terça-feira, 14 de junho de 2011

em festa!!

Estaremos em festa na próxima sexta-feira!
Todos os que colaboraram connosco durante o ano e mesmo os que não nos passaram cartão...todos estão avisados e convidados a espreitar a nossa festa de encerramento do ano lectivo! Prometemos voltar em Setembro!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Miguel Torga sentido por ...



Este foi um trabalho apresentado pela aluna Heloísa Pereira, do 9ºA. Pela qualidade e empenho, os nossos Parabéns!!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

hoje é o dia!!


É um dia em que cabem
todos os dias do ano
e as coisas mais bonitas
que não podem causar dano:
os sonhos e os brinquedos,
as festas, as guloseimas,
a sombra de alguns medos
a casmurrice das teimas
e também, com fartura
o afecto e o carinho
com que se faz a ternura,
para mostrar ao mundo
que a guerra é uma loucura
e que o gosto de ser menino
é o nosso eterno destino.

José Jorge Letria, O livro dos dias

domingo, 29 de maio de 2011

fui sabendo de mim


Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia

fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

terça-feira, 10 de maio de 2011

viagem de 360 graus



Os alunos do 1º C da Escola da Estação partiram à descoberta da cidade, através de uma visita à Torre de Tavira. Numa viagem de 360 graus viram o rio Gilão e as pontes que o atravessam. Entre os telhados descobriram as torres das igrejas e observaram quem passeava pelas ruas e jardins, tudo em tempo real.
Através da palavra, viajaram no tempo enquanto escutavam a Lenda da Moura do Castelo, e muitos foram os valentões que se candidataram para a ir desencantar.

A Câmara Obscura funciona com o princípio óptico utilizado por Leonardo Da Vinci, e é como uma grande janela sobre a nossa cidade.
Quem quer ir espreitar?


ser bom aluno, bora lá?



A Biblioteca Escolar vem por este meio informar toda a Comunidade Educativa que no dia 18 de Maio de 2011, pelas 10h15m, o Dr. Jorge Rio Cardoso, autor do livro: “Ser bom aluno, bora lá?”, realiza uma palestra no auditório da Escola Básica D. Manuel I.
Esta iniciativa deve-se ao convite da Biblioteca Municipal Álvaro de Campos e está aberta a toda a Comunidade Educativa.

Esperamos por ti!!!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

imensos caminhos

Porque ser LEITOR é uma brincadeira muito séria...e os caminhos pelos quais se chega à leitura são imensos...
Aqui ficam alguns trabalhos dos alunos do 5ºD, resultado da visita de estudo à Biblioteca José Saramago, de Beja.
















quarta-feira, 4 de maio de 2011

Na morada do tempo...

"Na morada do Tempo" é um projecto através do qual as crianças são convidadas a fazer uma viagem por um bosque onde vão encontrar diferentes árvores como metáforas do "Nascer" até ao "Nós". Enquanto a árvore dos "Ecos" simboliza a memória, a identidade, a árvore dos "Sonhos" representa o ciclo do crescimento, a partir da qual e depois de passar por outras etapas, se chega às árvores da "Palavra" e dos "Nós", enquanto elementos de relação com os outros.




















domingo, 1 de maio de 2011

às mães, de todos



Quando Eu For Pequeno

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"

segunda-feira, 25 de abril de 2011

SEMPRE!!!



Não podemos
deixar
que a liberdade seja

tornada em amargor
ou sonho apenas
feito de memória-luz, fragor

O cravo uma metáfora
que se esgueira.
Vinte e Cinco de Abril à beira-Tejo

Perigando e oscilante
a desfolharem-na,
da sua utopia, enquanto dela

sabemos de salvar e tanto
querer, por quem sempre
lutou para ser lume

Em tumulto de asa
quando voa, bela
redentora e visionária

A transformar
o mundo
e já mudando

Rútila
audaz
e passionária


Maria Teresa Horta
Lisboa, 25 de Abril de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

dia mundial do livro

O Fim é o princípio. Uma página que se vira.
Somos a tinta fresca em folha áspera.
A capa dura. Aquilo que procura. Somos a História.
Desde sempre. O terramoto de 55 e a revolução de 74.
Somos todos os nomes. As pessoas do Pessoa.
Alexandre Herculano e Ramalho Ortigão.
O mundo na mão.
Ponto de encontro. De quem pensa. De quem faz pensar.
Temos pele enrugada de acontecimento. As páginas são nossas.
E o pó que descansa na capa também. Sabemos falar
de guerra e paz, explicar a origem das espécies e dizer qual
a causa das coisas. Somos o que temos. A tradição e a vocação.
A atenção. A opinião. A história de dor e de amor.
Somos o nome do escritor. A mão do leitor.
SOMOS LIVROS.

in "Público", 23 de Abril 2011