sexta-feira, 21 de março de 2014


O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos    quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.


Ary dos Santos, in “Resumo”


O Dia Mundial da Poesia é hoje celebrado com várias iniciativas em todo o país, desde a leitura de poemas no Museu de Teatro ao concerto dos Penicos de Prata, no Porto, passando por um ‘serão’ no Palácio de Belém.
Hoje, às 14h30, no Museu do Teatro, em Lisboa, ao Lumiar, o ator Sinde Filipe lê poemas de Fernando Pessoa, Cesário Verde e Alexandre O'Neil.

Também às 21h30, no Cinema Passos Manuel, no Porto, o quarteto Penicos de Prata apresenta o espetáculo-concerto de música e poesia erótica e satírica portuguesa, que inclui, entre outros, poemas de António Botto, Carlos Queirós, Ernesto Manuel de Melo e Castro e Liberto Cruz.

À mesma hora, em Abrantes, no Cineteatro S. Pedro, o ator Victor de Sousa apresenta ‘No palco da Poesia - 50 anos a dizer Poesia’, um recital no qual declamará, entre outros, António Botto, Eugénio de Andrade, Vasco de Lima Couto, Alexandre O'Neill, Fernando Pessoa, Sophia Mello Breyner Andresen, António Manuel Couto Viana, Pedro Homem de Mello, Alda Lara, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos.

A Companhia de Teatro de Braga (CTB) promove também às 21h30, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, no âmbito do projeto BragaCult2, uma leitura pública da Oficina de Leitura e Interpretação de textos de Autores de Língua Portuguesa, "entre os quais os que são referência nas orientações dos programas das disciplinas de Português e Literatura Portuguesa ou do Plano Nacional de Leitura, com recurso a técnicas de enunciação e jogo de natureza teatral", afirma a CTB em comunicado.

A leitura, coordenada por Sílvia Brito, é realizada por professores e bibliotecários.

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), na mensagem do Dia Mundial da Poesia, defende que "devemos dar a ler, nomeadamente na escola, os nossos poetas, ensinar, com rigor e entusiasmo, textos de quantos, inquirindo a linguagem, exaltaram o Homem e a vida".


Lusa/SOL


quinta-feira, 20 de março de 2014



PRIMAVERA

Namorou-se uma princesa
 Dum pajem loiro e gentil;
 Chama-se ela – Natureza,
 Chama-se o pajem – Abril.
 A Primavera opulenta,
 Rica de cantos e cores,
 Palpita, anseia, rebenta
 Em cataclismos de flores.
 (…)
 Tudo ri e brilha e canta
 Neste divino esplendor:
 O orvalho, o néctar da planta
 O aroma, a língua da flor.
 Enroscam-se aos troncos nus
 As verdes cobras da hera.
 Radiosos vinhos de luz
 Cintilam pela atmosfera.
 Entre os loureiros das matas,
 Que crescem para os heróis,
 Dá o luar serenatas
 Com bandas de rouxinóis.
 É a terra um paraíso,
 E o céu profundo lampeja
 Com o inefável sorriso
 Da noiva ao sair da igreja.


Guerra Junqueiro

UMA HISTÓRIA, UM SORRISO
                     
A biblioteca da escola da estação festejou o Dia do Pai, que este ano integrou a Semana da Leitura, com histórias e sorrisos.
Os pais dos alunos das turmas de 1º ano foram convidados a vir à BE para lerem uma história e receberem um sorriso. Depois de escutarem histórias como Grufalão, Elmer, Histórias das Princesas, A casa da Mosca Fosca, Príncipes e Dragões, os meninos e meninas das turmas A e B agradeceram a todos os pais que partilharam estas histórias com os seus filhos e os colegas de sala. Através de uma história de algibeira, todos compreenderam que o amor entre pai e filho vence todas as distâncias porque é mais forte e muito maior do que as saudades.
Entre histórias, palmas e muitos sorrisos, o Dia do Pai foi celebrado com alegria e boa disposição, na Biblioteca da escola da estação.


quarta-feira, 19 de março de 2014



Os alunos das turmas do 4º ano foram à biblioteca da Escola da Estação para conhecerem Fernando Pessoa, um grande escritor português e mundial do século XX.
A partir do livro de Manuela Júdice, O meu primeiro Fernando Pessoa, os alunos ficaram a saber o percurso que Fernando Pessoa fez, desde o seu nascimento em Lisboa, a 13 de junho de 1888, até ao seu regresso de Durban. Ficaram a conhecer a sua faceta humorística, com os poemas para a infância. Na próxima visita à BE ficarão a conhecer os seus heterónimos, com especial destaque para Álvaro de Campos, nosso conterrâneo.



 Pai,
vens com os olhos cansados,
os dedos gretados,
os pés doridos,
os sonhos moídos.
Onde colheste o sorriso
que me dás
como uma flor?

Luísa Ducla Soares






Ode à bicicleta

Na minha bicicleta de recados
 eu vou pelos caminhos.
 Pedalo nas palavras atravesso as cidades
 bato às portas das casas e vêm homens espantados
 ouvir o meu recado ouvir minha canção.

Na minha bicicleta de recados
 eu vou pelos caminhos.
 Vem gente para a rua a ver a novidade
 como se fosse a chegada
 do João que foi à Índia
 e era o moço mais galante
 que havia nas redondezas.
 Eu não sou o João que foi à Índia
 mas trago todos os soldados que partiram
 e as cartas que não escreveram
 e as saudades que tiveram
 na minha bicicleta de recados
 atravessando a madrugada dos poemas.

Desde o Minho ao Algarve
 eu vou pelos caminhos.
 E vêm homens perguntar se houve milagre
 perguntam pela chuva que já tarda
 perguntam pelos filhos que foram à guerra
 perguntam pelo sol perguntam pela vida
 e vêm homens espantados às janelas
 ouvir o meu recado ouvir minha canção.

Porque eu trago notícias de todos os filhos
 eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
 e um cesto carregado de vindima
 eu trago a vida
 na minha bicicleta de recados
 atravessando a madrugada dos poemas.

Manuel Alegre



terça-feira, 18 de março de 2014


MAR DE LEITURAS

LEITURAS D’ARREGANHA DENTES


A Semana da Leitura foi inaugurada na biblioteca da escola da estação com uma animada sessão de leitura expressiva dinamizada pelos alunos do 4º B: Iara; Cristiana; Filipa; Pedro; Lourenço; Samuel; Madalena; Dinis; Ana Paula; Elisaveta; Tomás Santana e Maria. A apresentação ficou a cargo da Margarida e da Joana e, no final, já fora do alinhamento, o David do 1º ano fez uma surpresa a todos os colegas ao ler como se estivesse a mastigar, um excerto da obra Corre, Corre Cabacinha, da escritora Alice Vieira.
Foram lidos textos de vários géneros e de autores como Luísa Ducla Soares; António Mota; José Jorge Letria e António Torrado.
Na assistência estiveram os alunos do 1º A, da Profª Paula Sol, e os alunos de 1º ano da Profª Fátima Valente, que após cada leitura acabaram por arreganhar os dentes e aplaudir os colegas participantes.
Durante esta comemoração da leitura ainda vão poder assistir a outras atividades a realizar na BE,

            & Um livro para o meu afilhado
& Histórias à boca cheia
            & 1 História, 1 sorriso
            & Poesia Pátria
            & Pomar de palavras
            & Palavras de boca em boca

COMPUMUMANO


CROCOSTRUZ

Trabalho de Diogo Soares, 6ºC

segunda-feira, 17 de março de 2014

COBRACA


DRAGUEIXE

Mariana Basílio, 6ºD

VACALINHA

Mariana Basílio, 6ºD

PEIXANTE


                                          Peixante

                            Metade peixe/metade elefante
O peixante é um mamífero que vive no fundo do Oceano Atlântico e não só tem parece um  peixe como também um elefante. O peixante é muito pesado e tem todas as características necessárias para poder sobreviver fora de água, mas devido ao seu peso não consegue vir à tona. Ele alimenta-se não só à base de pequenos peixes existentes no fundo do oceano, mas também de algas e outras plantas. O seu padrão é muito invulgar, sendo quadriculado, o que não o ajuda na camuflagem.
Mariana Fernandes , 6ºE (texto e desenho)

sexta-feira, 14 de março de 2014

O brilho da viagem



I Parte

         Numa visita de estudo às Catacumbas, seguia no autocarro ao lado da minha amiga Rita.
        Quando chegamos ao nosso destino, saímos do autocarro e eu escorreguei,  empurrando a Rita que caiu redonda no chão. Aleijada a Rita, culpo-me, amuando perante mim.  Dentro do edifício, ela andava a 2 metros de mim enquanto os outros caminhavam 2 a 2 de mãos dadas. De seguida entrámos numa porta grande e escura, que parecia a porta de um castelo. Lá dentro estava tudo escuro, mas iluminado por velas a cada 3 passos.
       Não se percebia bem o que lá havia, mas a nossa guia explicou-nos o que era e como funcionava.
      À primeira vista aquilo parecia apenas um túnel cheio de buracos na parede, mas quando chegamos a uma parte só se viam esqueletos enfiados nas suas gavetas. Eu assustei-me mas como não tinha ninguém ao meu lado para abraçar até passar o medo, fechei os meus olhos.
           Seguida pela voz, caminhava sem saber por onde ia, até que a professora anunciou que íamos fazer uma pausa num lugar claro, com luz. Quando estávamos prestes a chegar,  abri os olhos e reparei num brilho que quase me encandeava. Curiosa voltei atrás para ver o que era. O brilho vinha da mão de um cadáver. Aproximei-me, já sem medo, e só com uma mão puxei e arranquei-lhe o braço esquerdo.
                                             II Parte
             O brilho que se via de longe era um anel de diamante que brilhava entre o escuro da caverna e a clareza da luz das velas. Cheguei a pensar que se desse o anel à Rita ela me perdoaria e ficasse tudo bem. Depois pensei melhor e decidi limpar o anel primeiro, porque senão arriscava-me a que ela cheirasse o anel e este cheirava a morto.
            Comecei a limpar o anel, mas à medida que o limpava a turma ia se afastando cada vez mais. Como a Rita era o meu par, ela tinha de esperar por mim, mas já estava aborrecida de tanto esperar e por isso gritou:
             -Estou farta de esperar por ti aqui! Mas afinal o que estás a fazer?
            -Tem calma que já vais ver- disse eu.
           Quando finalmente acabei de limpar, enrolei o anel num bocado de papel  que guardava na mala e depositei-o nas mãos de  Rita, que me olhou estupefacta.
      -Porque me deste este bocado de papel amachucado?!- perguntou ela.
           -Abre e verás!- respondi-lhe.
         Então ela abriu-o com o maior desinteresse e, de repente, o olhar dela encheu-se de brilho e emoção:
           -Que anel mais lindo!…É para mim?- perguntou ela.
          -É sim, Rita, e desculpa ter-te empurrado. Eu acho que estava com tanta pressa que me esbardalhei em cima de ti.
         Depois de termos feito as pazes, andamos em direção à turma, mas não vimos ninguém e pensámos que estávamos perdidas. Como tínhamos medo de nos perder mais, ficamos no mesmo sítio… quando ouvimos a professora a gritar pelos nossos nomes, preocupada:
        -Ana, Rita, onde é que vocês estão, meninas?
       Foi aí que os nossos rostos se encheram de tanta alegria que até respondemos em sintonia:
      -Aqui, professora, estamos aqui!
     A nossa guia e a professora vinham à frente com uma multidão de alunos atrás. No meio da conversa, a professora perguntou:
     -O que aconteceu?
    Contamos-lhe a história e, no fim, a professora sorriu…

 Ana Afonso  -  5ºA

No dia 28 de fevereiro, o escritor e ilustrador Pedro Seromenho esteve na nossa escola e uma vez mais conseguiu levar os alunos do 2.ºB e 2.ºC, 5.ºB, C, D e E para uma fantástica viagem pelas aventuras dos seus livros. Para além disso, ainda nos presenteou com três belíssimos desenhos que ficarão na EB 1 e na biblioteca. A ver pelas suas expressões, os alunos (e professores) …gostaram mesmo!...

quarta-feira, 12 de março de 2014


Um livro na prisão

Numa cela, pequena, mal cheirosa, fria e sem luz, está um livro. Um livro nas mãos do seu leitor, devorando as suas páginas, lendo, frase por frase, palavra por palavra, deixando para trás o pequeno espaço e esquecendo o frio, o mau cheiro, a falta de luz, a solidão, entrando pelas portas do paraíso, deixando-se levar pela magia das palavras. Que lindo que é, com o mar, com ilhas e praias, com plantas perfumadas, com aves a voar e o sol a brilhar! Lá vai o prisioneiro, preso no mundo das letras, navegando neste grande mar de palavras, voando com as frases no ar! Estava noutro mundo, debaixo de outro céu, num mundo de magia, de emoção...
    Eram horas de almoço e, caminhando lentamente com as algemas na mão, o guarda chegou à cela do prisioneiro e ficou encantado com o que viu, pois nunca tinha visto um prisioneiro tão contente, apenas com um simples livro nas mãos. Então, sem o querer interromper, observou, silenciosamente, como o leitor se esquecia do sítio onde estava, como se deixava levar. É a magia! A magia do livro; como um simples objeto pode influenciar as pessoas, deixando-as na fantasia… Um livro, um objeto mágico, uma coisa fabulosa. Quando alguém pega num livro, vai para outro mundo. Para a guerra, para o paraíso, para o deserto, para uma outra fantasia…quando alguém pega num livro, fica enfeitiçado. Enfeitiçado pelo feitiço das palavras.



Pedro Ferreira, 7.ºA

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
          Era uma vez uma princesa
          no meio de um laranjal...

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro”