quinta-feira, 10 de março de 2016
No dia 22 de fevereiro, teve lugar na nossa escola,
pelas 14.30, no Auditório, uma sessão com a escritora Manuela Ribeiro. Estiveram
presentes os alunos das turmas 7ºA,B, E e F, que ouviram a escritora
falar da sua obra e da sua experiência; fizeram-lhe várias perguntas e muitos
ficaram interessados em ler alguns dos seus livros de "aventuras do Miguel
e do Ricardo". O convite foi endereçado pela BMAC. Agradecemos a presença
da escritora e o entusiasmo e curiosidade dos alunos. São estas oportunidades
que enriquecem interiormente os nossos jovens.
segunda-feira, 7 de março de 2016
NOVIDADES EDITORIAIS
O Tesouro de Selma Lagerlöf
O Tesouro,
de Selma
Lagerlöf, recentemente recuperado pela Cavalo de Ferro na coleção Gente Independente, é efetivamente um “tesouro”.
Trata-se de uma pequena (em tamanho, não em grandeza, se me faço entender)
pérola da literatura sueca (e não só) do início do século XX. Uma das razões,
sem dúvida, que levou a que Selma Legerlöf se tornasse, em 1909, a primeira
escritora a ganhar o Nobel – ela é autora também de obras como A Viagem Maravilhosa de Nils Holgerssn Através da Suécia e A Saga de Gösta
Berling.
O Tesouro é uma espécie de fábula, com laivos
(muitos e intensos) de sobrenatural (as maldições são uma constante), onde o
tema central é o bem e o mal, e as dúvidas que os indivíduos sentem quando têm
de optar por um desses caminhos, especialmente quando em jogo há algo de
pessoal e íntimo. Selma Lagerlöf joga bem com as ambiguidades do ser humano, e,
dada a credibilidade que aplica na construção das personagens, leva o leitor a
ter dificuldade em julgar ou aplaudir quando decisões mais questionáveis são
tomadas. Porque, afinal, somos todos humanos e as personagens de O Tesouro bem refletem isso.
A EVASÃO
Estamos no verão de 1940 e o exército de Hitler está a
avançar por Paris, obrigando à evasão de milhões de civis franceses.
No meio do caos, duas crianças britânicas são perseguidas por
agentes alemães. O espião inglês Charles Henderson tenta alcançá-las primeiro,
mas só conseguirá fazê-lo com a ajuda de um órfão francês de 12 anos. Os
serviços secretos britânicos estão prestes a descobrir que as crianças podem
ajudá-los a vencer a guerra.
Para efeitos
oficiais, estas crianças não existe
LOBOS DO MAR
Filho de um multimilionário
americano, irritantemente presunçoso, impertinente e malcriado, Harvey estava
bem longe de imaginar que de uma tão simples prosápia como fumar um charuto
pudesse resultar uma tão grande modificação da sua vida. No entanto, assim
aconteceu. Após ter desmaiado no convés do paquete de luxo que o levava à
Europa, desperta a bordo de uma frágil embarcação de pesca na companhia de um
pescador português chamado Manuel que pertence a um navio pesqueiro.
Menosprezando o seu dinheiro e posição o capitão Disko Troop reduze-o a um
insignificante moço de limpezas e obriga-o a enfrentar a rude vida do mar. A
literatura juvenil enriqueceu-se, ganhou novas cores e personagens com este
clássico de Kipling. A tradução é de António Sérgio, notável ensaísta, crítico
e pedagogo.
CONVERGENTE
Sinopse
Uma escolha
Pode transformar-te
Uma escolha
Pode destruir-te
A tua escolha
Vai definir-te
A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída -
dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela
perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar
o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e
Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples,
livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas.
Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que
deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a
angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama.
Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da
natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem,
lealdade, sacrifício e amor.
Alternando as perspetivas de Tris e Quatro, Convergente encerra de
forma poderosa a série que cativou milhões de leitores em todo o mundo,
revelando por fim os segredos do universo Divergente.
Prémios
Veronica
Roth foi considerada a melhor
autora pelo GoodReads
Choice Awards em 2012. Divergente
foi eleito o melhor livro de 2011 e Insurgente o melhor livro de fantasia para
jovens-adultos em 2012, pela mesma entidade, a única cujas distinções são
atribuídas exclusivamente pelos leitores.
O RAPAZ QUE PRENDEU O VENTO
William Kamkwamba nasceu no Malawi, onde vivia na mais absoluta
pobreza e, aos 13 anos, teve de abandonar a escola por falta de meios. Mas isso
não refreou o seu otimismo nem a sua vontade de aprender e, graças a uma
biblioteca escolar, continuou a acompanhar as matérias escolares. Um dia
descobriu um livro que mudaria por completo a sua vida e que explicava o
funcionamento dos moinhos de vento. Utilizando materiais improvisados, muitas
vezes recolhidos em sucatas, William conseguiu montar dois moinhos de vento e,
assim, fornecer energia elétrica e água à sua pequena comunidade. O seu feito
tornou-se notícia em todo o mundo e é contado neste livro cativante, que
retrata os problemas que afligem o continente africano e sugere que as melhores
soluções não partem necessariamente da ajuda dos países ricos.
sexta-feira, 4 de março de 2016
Na chuva estava uma gaivota a sorrir
Numa manhã de chuva estava uma gaivota, numa chaminé, observando o mar.
No seu ninho quentinho, Antonita tentava aquecer os seus ovos azuis e às pintas
rosa néon. Antonita desejava que os seus filhos se sentissem protegidos com o
calor das suas asas.
Passadas umas semanas, os gaivotinhos
nasceram e a mãe foi à procura de algo para os alimentar. Depressa regressou ao
ninho. Surpreendida, reparou que cada filho tinha uma asa azul e uma pata cor
de rosa.
-Oh, meu deus! Que gaivotas são
estas? Serão gaivotas mágicas?
A mãe gaivota pegou neles e jogou-os
para a água.
Nesse mesmo dia, o pai Júlio
regressara da viagem que fizera a África. Ao ver a sua querida gaivota a
chorar, Júlio lançou-se imediatamente ao mar. Apanhou os gaivotinhos, que
estavam aflitos, pois tinham visto um tubarão na sua direção. De repente, começou
a chover e a tinta que estava nas suas asas e patas começou a dissolver-se.
Inexplicavelmente, o tubarão
espantou-se e fugiu a sete barbatanas.
6ºG,
aula de apoio, texto coletivo
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
No
fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que
o vento não conseguiu levar:
um
estribilho antigo
um
carinho no momento preciso
o
folhear de um livro de poemas
o
cheiro que tinha um dia o próprio vento...
Mário Quintana
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
No âmbito da
disciplina de Físico-Química,
os alunos das turmas
A, B e C do 7.º ano elaboraram trabalhos sobre o tema “Exploração
espacial ao longo dos tempos”, que
se encontram em exposição na Biblioteca da Escola Básica D. Manuel I.
A maioria dos
trabalhos foi realizada em pares, tendo alguns deles uma excelente qualidade,
pelo que os alunos estão de parabéns.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
DIA DAS AMIGAS
A biblioteca
da escola da estação comemorou o Dia das Amigas, na passada 3ª feira, com
atividades destinadas a todas as amigas da nossa escola. Durante os intervalos,
as meninas foram convidadas a entrar e a participar nos jogos e nos passatempos
que tinham como tema comum as histórias da Poppy.
Quem
gosta de pintar pôde inscrever-se e participar no concurso de pintura de uma
ilustração do livro “Uma Grande Confusão” e,
assim, colorir a história com a sua imaginação e criatividade.
No final
do dia, as amigas que escutaram a história “Catarina e a arca de chá” tiveram uma
surpresa: chá quente e docinho!
Para
recordar este dia, levaram como lembrança um marcador de livros, até porque Dia das Amigas
é todos os dias.
Atividades
Concurso de Ilustração – Dá – lhe cor…
Jogos e passatempos – Poppy em
linha + atividades do sítio da Poppy
Exposição de livros – “Livros Amigos”
Sessão de Conto – “Catarina e a arca de chá”
Hora do Chá – degustação
de chás
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
POEMA DO CORAÇÃO
Eu
queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e
também a Bondade,
e
a Sinceridade,
e
tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.
Então
poderia dizer-vos:
"Meus
amados irmãos,
falo-vos
do coração",
ou
então:
"com
o coração nas mãos".
Mas
o meu coração é como o dos compêndios.
Tem
duas válvulas (a tricúspida e a mitral)
e
os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O
sangue ao circular contrai-os e distende-os
segundo
a obrigação das leis dos movimentos.
Por
vezes acontece
ver-se
um homem, sem querer, com os lábios apertados,
e
uma lâmina baça e agreste, que endurece
a
luz dos olhos em bisel cortados.
Parece
então que o coração estremece.
Mas
não.
Sabe-se,
e muito bem, com fundamento prático,
que
esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é
coisa do simpático.
Vem
tudo nos compêndios.
Então,
meninos!
Vamos
à lição!
Em
quantas partes se divide o coração?
António Gedeão, Poesias Completas
No Coração, Talvez
No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
domingo, 7 de fevereiro de 2016
DEPUS
A MÁSCARA
Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
sábado, 6 de fevereiro de 2016
O QUE EU QUERO SER…
Os alunos
do 2º ano foram à biblioteca da escola da estação para escutarem os
poemas da obra de José Jorge Letria, O que eu quero ser…
Depois de
uma leitura em jeito de jogo de adivinhas, os alunos deram asas aos seus sonhos
e a imaginação coletiva compôs os seguintes versos:
Eu quero ser cabeleireira
Porque é uma profissão com arte.
Gosto de penteados à maneira,
Aqui ou em qualquer parte.
Eu quero ser mergulhador em alto mar,
Quero ver tubarões, peixes e peixinhos aos milhões
E com eles nadar, nadar, nadar
Sem nunca parar.
Eu quero ser futebolista
Porque gosto de jogar.
De bola nos pés sou um artista
E nunca me vou lesionar.
Alunos do 2º C – Professora Fátima Valente
Eu
quero ser artista
Porque
gosto muito de pintar,
O
sol, as nuvens, as borboletas e flores a brilhar.
Vou
ser uma pintora famosa e “sair numa revista”.
Eu
quero ser professora
Porque
gosto de ensinar.
Vou
fazer ditados e contas sem calculadora,
E
se os alunos forem bem comportados,
nunca
me vou zangar.
Eu
quero ser escritora
Porque
gosto de escrever histórias de encantar.
De
muitos livros serei a autora,
E
levarei as crianças numa viagem a sonhar.
Alunos do 2º A – Professora Sónia Viegas
Eu
quero ser domador de animais
Porque
gosto de bichos da floresta,
Da
savana, do pântano e muitos mais
E
todos juntos fazemos uma festa.
Eu
quero ser taxista
Porque
gosto muito de guiar.
Sigo
sempre pela pista
E
levo os clientes a passear.
Eu
quero ser cantora
Porque
gosto muito de cantar.
Das
minhas músicas serei compositora
E
no palco irei brilhar.
Alunos do 2º B – Professora Filomena Gil
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Certo dia, eu pensei em visitar o magnânimo Filipe II, Rei de Espanha,
Portugal e de um vasto império, e comecei a interrogar-me como é que eu iria
viajar para o passado!
Decidi ir a um museu procurar uma
máquina do tempo para viajar até 1580. E encontrei-a!
Sem perceber como, estava no palácio
do Escorial.
Entrei no palácio, deliciei-me com a
grandeza e luxo ali instalados e vi aquela figura curiosa, em folhos
atafulhado, brilhando como as leds de Natal: D.Filipe II, Rei de Espanha e Portugal.
Quando entrei na sala fiquei ainda
mais espantado pois ele comia num prato de prata lavrada.
- Boa noite! - exclamei.
- Entre - disse Filipe II.- Que me
trazes, estranho das terras distantes?
Eu pensei em como poderia impressionar aquele Rei poderoso
que já possuía tudo e lembrei-me que trazia um fecho éclair.
-Que objeto é esse ?–Interrogou Filipe II.
- O fecho éclair é um fecho que abre e fecha casacos que se
usa na minha época . –exclamei, a medo.
-Já estou a ver.Tu já vives naqueles tempos mais
avançados, não é ?-perguntou o Rei.
- Sim, Minha Majestade, eu já vivo nesses tempos.
- Queres alguma coisa em troca dessa coisa aí? Pode
valer muito dinheiro. -disse o rei.
- Não, Sua Majestade. Deixa apresentar-me.Eu sou o
Lourenço.
-Eu sou o Filipe II e esta é a minha mulher, Isabel I de
Inglaterra.
-Tive uma ideia. Tu irás com a minha tripulação. Quem
manda na parte marítima é Pedro Álvares de Cabral. Podes ir com ele até ao
Brasil!
-Não me importava nada – respondi.
Dormi no palácio do rei Filipe II onde as camas eram
de prata maciça.
De manhã cedinho parti para o Brasil com a tripulação
de Filipe II e mais o seu filho, o príncipe Filipe, e quando voltei para casa
contei as aventuras perigosas aos meus amigos.
Não sei o que o
Rei fez com o fecho Éclair!!
Lourenço Ferreira
DM4C
2016/01/25
Inspirado em: « Poema do Fecho Éclair», de António Gedeão.
O FECHO ÉCLAIR
Eu estava a pedir um desejo, na floresta, e fechei os olhos. Mas,
quando voltei a abri-los, estava à frente do castelo do Rei D. Filipe II.
Fui a andar na sua direção e encontrei seis guardas à porta.
Pedi-lhes para ir visitar o Rei D. Filipe II, mas os guardas disseram:
-Não podes entrar. Só quem tem o fecho éclair.
E eu fiquei muito chateada. Tive de voltar ao meu
mundo real para ir buscar um fecho. Para eles, um fecho era valioso porque não
havia aquilo na época.
Quando voltei, encontrei o meu amigo Rodrigo
com um fecho éclair e eu tive a ideia de irmos juntos. Mais à frente estava o
Bernardo e o Daniel e resolvemos ir dizer a eles para irem connosco. Os
guardas deixaram-nos entrar e nós ficámos a falar com o Rei. Mostrámos-lhe o
fecho éclair, mas o Rei tinha medo porque nesse tempo não havia.
-Eu gostei do fecho éclair. Por isso ofereço - vos
uma visita ao castelo e uma dormida.
Eu agradeci ao Rei e os meus amigos também.
Nós aproveitámos para perguntar ao Rei umas coisinhas porque a nossa professora
mandou fazer uma pesquisa.
Quando voltámos, a nossa professora ficou contente
por temos feito o trabalho de casa.
E aquele dia foi especial para mim e para os
meus amigos.
D. Manuel I
Bruna Valente Domingos
Bernardo José Marques
4C
Inspirado em: « Poema do Fecho Éclair», de António Gedeão.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
A
Vila das Cores
No passado dia 22, a biblioteca da Escola da
Estação recebeu a visita do escritor Bruno
Magina. O Autor apresentou a sua obra A Vila das Cores, às turmas do 2º
B, 2º C e 3ºA, que gostaram muito de conhecer o António, o Manuel e os seus
filhos adotivos, o Bernardo e a Gabriela. Com a Família Violeta compreendemos
melhor que devemos respeitar as diferenças e que a diversidade nos enriquece o
coração.
De seguida, houve uma sessão de
perguntas e respostas acerca da história e das histórias do autor e dos vários
alunos. A manhã terminou com uma sessão de autógrafos tão coloridos como a Vila das
Cores.
Agradecemos ao Bruno Magina pela sua presença e pela sessão animada que dinamizou,
bem como à Biblioteca Municipal Álvaro de Campos que proporcionou este
encontro.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
A prova do Concurso Nacional de Leitura realizou-se no dia 14 de janeiro, às 14.30, no
auditório da nossa escola. Os alunos apurados foram: João
Teixeira,nº13, do 9ºC; Inês Livramento, nº15, e Beatriz Silva, nº5, ambas do 9ºB.
Parabéns aos alunos e que a leitura seja, para eles, um prazer que se prolongue
ao longo dos tempos.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
BIBLIOTECA VERDE
– Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
São só 24 volumes encadernados em percalina verde.
– Meu filho, é livro de mais para uma criança!...
– Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
– Quando crescer, eu compro. Agora não.
– Papai, me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra!
– Fica quieto, menino, eu vou comprar.
– Rio de Janeiro? Aqui é o Coronel.
Me mande urgente sua Biblioteca
bem acondicionada, não quero defeito.
Se vier com um arranhão, recuso. Já sabe:
Quero a devolução de meu dinheiro.
– Está bem, Coronel, ordens são ordens.
Segue a Biblioteca pelo trem-de-ferro,
fino caixote de alumínio e pinho.
Termina o ramal, o burro de carga
vai levando tamanho universo.
Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde.
Sou o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não; inveja de mim mesmo)
Ninguém mais aqui possui a coleção das Obras Célebres.
Tenho de ler tudo. Antes de ler,
que bom passar a mão no som da percalina,
esse cristal de fluida transparência: verde, verde...
Amanhã começo a ler. Agora não.
Agora quero ver figuras. Todas.
Templo de Tebas, Osíris, Medusa, Apolo nu, Vénus nua...
Nossa Senhora, tem disso nos livros?!...
Depressa, as letras. Careço ler tudo.
A mãe se queixa: Não dorme este menino.
O irmão reclama: Apaga a luz, cretino!
Olha que eu tomo e rasgo essa Biblioteca
antes que pegue fogo na casa.
Vai dormir, menino, antes que eu perca a paciência e te dê uma
sova.
Dorme, filhinho meu, tão doido, tão fraquinho.
Mas leio, leio... Em filosofias tropeço e caio,
cavalgo de novo meu verde livro,
em cavalarias me perco, medievo;
em contos, poemas me vejo viver.
Como te devoro, verde pastagem!...
Ou antes carruagem de fugir de mim
e me trazer de volta à casa
a qualquer hora num fechar de páginas?
Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.
(Carlos Drummond
de Andrade)
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