
domingo, 2 de janeiro de 2011
A reminder of the important things in life
A EQUIPA DA BE/CRE DESEJA A TODOS UM FELIZ ANO NOVO!
sábado, 1 de janeiro de 2011
devia morrer-se de outra maneira
...porque hoje o dia foi marcado pela morte de alguém...


Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
recomeçar outro ano

Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
enquanto houver Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se vai mais uma quadra
Sinto mais Natal nos pés.
Não quero ser dos ingratos
Mas, com este obscuro céu,
Puseram-me nos sapatos
Só o que a chuva me deu.
Fernando Pessoa (25-12-1930)
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se vai mais uma quadra
Sinto mais Natal nos pés.
Não quero ser dos ingratos
Mas, com este obscuro céu,
Puseram-me nos sapatos
Só o que a chuva me deu.
Fernando Pessoa (25-12-1930)
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domingo, 19 de dezembro de 2010
o dia de Natal

Às vezes tenho saudades de coisas que nunca tive. O Dia de Natal, por exemplo.
Quando eu era mais pequeno o meu Natal era uma grande estafa, tudo porque a minha mãe e o meu pai estavam divorciados. Chegava o dia 25 de Dezembro e eu tinha de ir visitar a família da minha mãe e a família do meu pai. Cinco tios de um lado e mais três do outro. Uma barrigada de tios e tias, primos e primas que eu mal conhecia porque só encontrava no Dia de Natal. Diziam-me todos “Estás tão crescido!”, perguntavam-me coisas um bocadinho taralhoucas e davam-me imensas prendas idiotas porque não sabiam quais eram os meus brinquedos preferidos.
As prendas que eles me davam eram sempre as mesmas: uma quantidade enorme de carrinhos e comboios, comboios e carrinhos que eu não queria para nada porque gostava mas é de livros de histórias. E como ninguém me dava livros de histórias tinha que ser eu a inventá-las quando a noite chegava e me envolvia finalmente em paz.
Mas antes de chegar ao sossego da noite a infelicidade não parava de crescer. O pior era a comida. Tinha que almoçar, lanchar e jantar muitas vezes, quantas as tias que visitava.
A comida era sempre igual e vinha para cima das mesas a transbordar de grandes travessas, taças e terrinas. Canja, peru, salada de frutas, rabanadas, sonhos, trouxas de ovos, bolo rei, bolo rainha… Ao fim do almoço e do jantar ficavam todos muito vermelhos e a dar grandes gargalhadas e eu, que já não podia com tanta comida, mal acabava de almoçar na casa de uma tia da família da minha mãe tinha de ir a correr almoçar em casa duma tia da família do meu pai.
Pelo meio havia os lanches e o “Come mais qualquer coisinha que estás a crescer!”, frase que tinha de ouvir sempre que ia a sair muito agoniado de casa de uma das tias. Obrigavam-me sempre a voltar atrás para comer mais doces, bolos e chocolates e eu a protestar baixinho porque, além de estar muito cheio, gostava mas é de coroquetes.
Ao fim do dia a minha barriga parecia uma bola. Quase nem conseguia mexer-me. E tinha a cara toda lambuzada dos milhares de beijos que as tias me pespegavam nas bochechas, na testa e às vezes até no pescoço.
Por tudo isto é que tenho muitas saudades do Dia de Natal que nunca tive. Gostava que nesse Natal houvesse uma luz amiga e doce e muita gente à mesa, meninos, pais e mães, tios e primos, todos sorridentes e felizes. Ao canto havia de haver uma árvore de Natal cheia de bolinhas e não era preciso muita comida. Bastava haver música e uma canção que nos unisse a todos e alguém que contasse uma história feliz.
José Fanha
Quando eu era mais pequeno o meu Natal era uma grande estafa, tudo porque a minha mãe e o meu pai estavam divorciados. Chegava o dia 25 de Dezembro e eu tinha de ir visitar a família da minha mãe e a família do meu pai. Cinco tios de um lado e mais três do outro. Uma barrigada de tios e tias, primos e primas que eu mal conhecia porque só encontrava no Dia de Natal. Diziam-me todos “Estás tão crescido!”, perguntavam-me coisas um bocadinho taralhoucas e davam-me imensas prendas idiotas porque não sabiam quais eram os meus brinquedos preferidos.
As prendas que eles me davam eram sempre as mesmas: uma quantidade enorme de carrinhos e comboios, comboios e carrinhos que eu não queria para nada porque gostava mas é de livros de histórias. E como ninguém me dava livros de histórias tinha que ser eu a inventá-las quando a noite chegava e me envolvia finalmente em paz.
Mas antes de chegar ao sossego da noite a infelicidade não parava de crescer. O pior era a comida. Tinha que almoçar, lanchar e jantar muitas vezes, quantas as tias que visitava.
A comida era sempre igual e vinha para cima das mesas a transbordar de grandes travessas, taças e terrinas. Canja, peru, salada de frutas, rabanadas, sonhos, trouxas de ovos, bolo rei, bolo rainha… Ao fim do almoço e do jantar ficavam todos muito vermelhos e a dar grandes gargalhadas e eu, que já não podia com tanta comida, mal acabava de almoçar na casa de uma tia da família da minha mãe tinha de ir a correr almoçar em casa duma tia da família do meu pai.
Pelo meio havia os lanches e o “Come mais qualquer coisinha que estás a crescer!”, frase que tinha de ouvir sempre que ia a sair muito agoniado de casa de uma das tias. Obrigavam-me sempre a voltar atrás para comer mais doces, bolos e chocolates e eu a protestar baixinho porque, além de estar muito cheio, gostava mas é de coroquetes.
Ao fim do dia a minha barriga parecia uma bola. Quase nem conseguia mexer-me. E tinha a cara toda lambuzada dos milhares de beijos que as tias me pespegavam nas bochechas, na testa e às vezes até no pescoço.
Por tudo isto é que tenho muitas saudades do Dia de Natal que nunca tive. Gostava que nesse Natal houvesse uma luz amiga e doce e muita gente à mesa, meninos, pais e mães, tios e primos, todos sorridentes e felizes. Ao canto havia de haver uma árvore de Natal cheia de bolinhas e não era preciso muita comida. Bastava haver música e uma canção que nos unisse a todos e alguém que contasse uma história feliz.
José Fanha
sábado, 18 de dezembro de 2010
Eu Queria ser Pai NatalEu queria ser Pai Natal
e ter um carro com renas,
para pousar nos telhados
mesmo ao pé das antenas.
Descia com o meu saco
Ao longo da chaminé,
Carregado de brinquedos
E roupas, pé ante pé.
Em cada casa trocava
Um sonho por um presente.
Que profissão mais bonita
Fazer a gente contente.
Luísa Ducla Soares
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
evidentemente satisfeitos...

No dia 15 de Dezembro, pelas 14h30m, todos os monitores da BE/CRE receberam o seu CARTÃO DE MONITOR, o que lhes confere um estatuto especial neste canto…
A aluna Kayla Bruyneil, nº 12, do 7ºD, recebeu o prémio de MELHOR LEITORA do 1º Período.
A aluna Kayla Bruyneil, nº 12, do 7ºD, recebeu o prémio de MELHOR LEITORA do 1º Período.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Os meninos Jesus dos pinta-santos
A PRENDA de Pedro Alves

Aproximava-se a quadra natalícia. Matilde não sabia ainda o que comprar para oferecer nesse Natal à sua melhor amiga.
Só este pensamento, qualquer que fosse a prenda escolhida já continha algo que prezava muito – a amizade.
Procurou em tudo o que eram lojas desde centros comerciais ao comércio tradicional. Foi a mercados e feiras. Procurou em catálogos e nas mais diversas lojas virtuais. Nada parecia perfeito.
Essa prenda tinha de demonstrar tudo aquilo que há entre amigos. Tinha de expressar em objecto os sentimentos que nutria espiritualmente. Como quando riam às bandeiras despregadas de tudo e de nada ou se zangavam quase até se odiarem por algo sem importância. Como quando aprendiam e estudavam juntas, a escrever um texto criativo para Língua Portuguesa ou a desenvolver o raciocínio mental numa equação do primeiro grau para a disciplina de Matemática. Tinha de sussurrar segredos como quando falavam ao telemóvel ou faziam poemas sobre os rapazes que achavam ser os seus príncipes, ou como achavam que estas e outras coisas se escondem dos pais sem que eles o percebam.
Estes pensamentos ajudaram-na a chegar à lembrança que podia conter em si muitos dos conteúdos da vida – o amor, o ódio, a alegria, o sofrimento, o conhecimento científico, a história de como chegámos aqui….e tanta…tantas coisas.
E assim chegou-lhe sem mais esforço a ideia da que poderia ser a prenda ideal para aquela sua amiga especial.
Toma! É para ti!
Obrigada, amiga! Eu sei que a tua prenda só pode ser muito especial. Agradeceu Luísa, emocionada.
Como sabes se nem a abriste?! disse Matilde sorrindo.
Sei, porque às vezes entre amigas nem é preciso dizer muito...
Abraçaram-se.
Luísa desembrulhou cuidadosamente o presente como se tratasse de um frágil cristal. Ficou emocionada segurando-o entre os seus finos dedos.
Era um livro, pois.
Pedro Alves
domingo, 12 de dezembro de 2010
Concurso Literário – Quem Conta um Conto …
"QUEM CONTA UM CONTO...ACRESCENTA UM PONTO"
Este concurso é promovido pelo semanário SOL, que se associa ao Plano Nacional da Leitura, procurando estimular os hábitos de leitura e de escrita nos alunos do 2.º ciclo. O desafio é escrever um conto original que dê seguimento a um dos livros da colecção "Clássicos da Literatura Portuguesa". Todos eles estão disponíveis na Biblioteca Escolar.
Não percas a oportunidade de ganhar prémios aliciantes!
Consulta o regulamento aqui
Este concurso é promovido pelo semanário SOL, que se associa ao Plano Nacional da Leitura, procurando estimular os hábitos de leitura e de escrita nos alunos do 2.º ciclo. O desafio é escrever um conto original que dê seguimento a um dos livros da colecção "Clássicos da Literatura Portuguesa". Todos eles estão disponíveis na Biblioteca Escolar.
Não percas a oportunidade de ganhar prémios aliciantes!
Consulta o regulamento aqui
sábado, 11 de dezembro de 2010
"Só um homem comum pode fazer grandes coisas."
"Não sou um senhor de idade que conservou o coração menino. Sou um menino cujo envelope se gastou."
António Lobo Antunes, conto "A Velhice"; Livro de Crónicas, 1998
Foi hoje que alguns tiveram o privilégio de ouvir este "quase nobel", na cidade que ele recorda como aquela que "fazia o meu amigo ser feliz". Lobo Antunes esteve na Biblioteca Álvaro de Campos para falar dos seus livros, mas as suas histórias à volta deles cativaram mais uma plateia, que ora ria do seu humor apurado, ora sustinha a respiração para não quebrar o silêncio que se desprendia das suas palavras mais certeiras...era uma vez uma criança de três anos que morrera...era uma vez uma senhora muito bonita, de 83 anos, que...era uma vez o meu pai que...era uma vez o director de um jornal que...era uma vez o meu amigo José...tantas histórias que nos empurram para uma inquietação constante e são elas que fazem deste homem "como todos os outros" um escritor como mais nenhum...
António Lobo Antunes, conto "A Velhice"; Livro de Crónicas, 1998
Foi hoje que alguns tiveram o privilégio de ouvir este "quase nobel", na cidade que ele recorda como aquela que "fazia o meu amigo ser feliz". Lobo Antunes esteve na Biblioteca Álvaro de Campos para falar dos seus livros, mas as suas histórias à volta deles cativaram mais uma plateia, que ora ria do seu humor apurado, ora sustinha a respiração para não quebrar o silêncio que se desprendia das suas palavras mais certeiras...era uma vez uma criança de três anos que morrera...era uma vez uma senhora muito bonita, de 83 anos, que...era uma vez o meu pai que...era uma vez o director de um jornal que...era uma vez o meu amigo José...tantas histórias que nos empurram para uma inquietação constante e são elas que fazem deste homem "como todos os outros" um escritor como mais nenhum...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
uma estrela cadente

1894: No princípio da madrugada de 08 de dezembro, nasce, em Vila Viçosa (Alentejo), Florbela d’Alma da Conceição Espanca
1930: Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal.
Estrela Cadente
Traço de luz… lá vai! Lá vai! Morreu.
Do nosso amor me lembra a suavidade…
Da estrela não ficou nada no céu
Do nosso sonho em ti nem a saudade!
Pra onde iria a ’strela? Flor fugida
Ao ramalhete atado no infinito…
Que ilusão seguiria entontecida
A linda estrela de fulgir bendito?…
Aonde iria, aonde iria a flor?
(Talvez, quem sabe?… ai quem soubesse, amor!)
Se tu o vires minha bendita estrela
Alguma noite… Deves conhecê-lo!
Falo-te tanto nele!… Pois ao vê-lo
Dize-lhe assim: “Por que não pensas nela?”
Florbela Espanca
1930: Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal.
Estrela Cadente
Traço de luz… lá vai! Lá vai! Morreu.
Do nosso amor me lembra a suavidade…
Da estrela não ficou nada no céu
Do nosso sonho em ti nem a saudade!
Pra onde iria a ’strela? Flor fugida
Ao ramalhete atado no infinito…
Que ilusão seguiria entontecida
A linda estrela de fulgir bendito?…
Aonde iria, aonde iria a flor?
(Talvez, quem sabe?… ai quem soubesse, amor!)
Se tu o vires minha bendita estrela
Alguma noite… Deves conhecê-lo!
Falo-te tanto nele!… Pois ao vê-lo
Dize-lhe assim: “Por que não pensas nela?”
Florbela Espanca
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Esta manhã encontrei o teu nomeEsta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama
e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Fábio Ventura na escola
Esta visita já foi há alguns dias, mas só agora houve tempo para a documentar...
No dia 2 de Dezembro veio à nossa Biblioteca o escritor algarvio Fábio Ventura. Por lá esperavam-no alguns alunos do 9ºano e alguns professores,claro está!!!
Depois de uma breve introdução feita pela professora bibliotecária, a palavra vagueou livremente por entre presentes...
A plateia mostrou-se interessada por aquilo que o jovem escritor lhes ia dizendo, ora no seu papel de jovem, ora no de escritor...
No dia 2 de Dezembro veio à nossa Biblioteca o escritor algarvio Fábio Ventura. Por lá esperavam-no alguns alunos do 9ºano e alguns professores,claro está!!!
Depois de uma breve introdução feita pela professora bibliotecária, a palavra vagueou livremente por entre presentes...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
noutra cidade e eu era o mesmo
(imagem enviada por um amigo, na Búlgaria) Acaso
No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.
A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.
Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.
Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.
A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.
Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.
Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
sábado, 27 de novembro de 2010
alimentação saudável
A limentos diversos são bons
L egumes devemos comer
I ogurte vou saborear.
M elancia é a fruta do verão.
E ducação física devemos fazer,
N atação também praticar.
T entar comer de tudo,
A té a
C ebolinha,
A lém do
O vo da galinha.
S aúde queremos ter!
A mizade com legumes fazer.
U nidos vamos estar,
D esde pequeninos
A té velhinhos.
V egetais são tão bons!
E rvilhas não esquecer.
L embro assim o Dia da Alimentação.
5ºF – nº 1, Alice Batista
L egumes devemos comer
I ogurte vou saborear.
M elancia é a fruta do verão.
E ducação física devemos fazer,
N atação também praticar.
T entar comer de tudo,
A té a
C ebolinha,
A lém do
O vo da galinha.
S aúde queremos ter!
A mizade com legumes fazer.
U nidos vamos estar,
D esde pequeninos
A té velhinhos.
V egetais são tão bons!
E rvilhas não esquecer.
L embro assim o Dia da Alimentação.
5ºF – nº 1, Alice Batista
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
orbias e-book

Orbias e-book
O universo Orbias entrou na modernidade e já está disponível em formato e-book. Por enquanto só está disponível o "Orbias-O Demónio Branco", mas outros se seguirão...
e-book "Orbias-O Demónio Branco"
O universo Orbias entrou na modernidade e já está disponível em formato e-book. Por enquanto só está disponível o "Orbias-O Demónio Branco", mas outros se seguirão...
e-book "Orbias-O Demónio Branco"
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
feira do livro
Decorrerá de 29 de Novembro a 3 de Dezembro mais uma FEIRA DO LIVRO na nossa Biblioteca. No dia 2 de Dezembro, de manhã, estará presente o autor dos livros ORBIAS, Fábio Ventura, para uma conversa com os seus leitores e uma sessão de autógrafos. Se és fã destes livros e tens algum, aparece nesse dia com o teu livro e sairás com ele ainda mais enriquecido com um autógrafo deste "fantástico" autor (ou será autor do fantástico?).
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