
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
em dia de algum aniversário

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
para que o dia fosse enorme,
bastava
nos olhos de minha mãe.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Há-de flutuar uma cidade

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade.
este é um fogo que arde e que se vê...

domingo, 1 de agosto de 2010
exibicionismo

essa vontade
que eu tinha
de nas águas
te perder…
para depois
te pescar
à linha,
com muita
gente a ver.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
vá a banhos e leve um livro

domingo, 18 de julho de 2010
em tempo de "pic-nics"...

Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
CESÁRIO VERDE - 1855/1886
UMA PRENDA BOA


sábado, 17 de julho de 2010
A BE/CRE AGRADECE AO 7ºE
A Be/Cre agradece ao 7ºE e à sua professora de Língua Portuguesa a iniciativa, organização e realização da Feira do Livro Usado que decorreu em Tavira durante a Semana da Juventude, cuja receita reverteu integralmente para a Biblioteca Escolar, o que permitirá a aquisição de novos materiais (livros, dvd´s, cd´s...).Num singelo gesto de agradecimento foi oferecido a cada aluno um diploma, que poderá ser arquivado para mais tarde relembrar tão nobre iniciativa...
domingo, 11 de julho de 2010
toda a gente sabe que a noite é longa...
Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
José Luís Peixoto
-Gaveta de Papéis - 2008
Música: Nine Inch Nails - Ghosts I ;
Personagens:Vítor Costa e Daniela Gigante
A ESCRITA É O DESCONHECIDO

É o desconhecido de nós mesmos, da nossa cabeça, do nosso corpo. Não é sequer uma reflexão, escrever é uma espécie de faculdade que temos ao lado da nossa pessoa, paralelamente a ela, de uma outra pessoa que aparece e que avança, invisível, dotada de pensamento, de cólera, e que, por vezes, pelos seus próprios factos, está em perigo de perder a vida.
Se soubéssemos alguma coisa do que vamos escrever, antes de o fazer, antes de escrever, nunca escreveríamos. Não valeria a pena.
Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos se escrevêssemos - só o sabemos depois - antes, é a interrogação mais perigosa que nos podemos fazer. Mas é também a mais corrente. "
Marguerite Duras, in "Escrever"
quarta-feira, 7 de julho de 2010
EM JEITO DE HOMENAGEM...

Eu fui ao cabeleireiro
E pedi:
- Faça-me uma mise por favor.
E o cabeleireiro respondeu:
- Com certeza, Mademoiselle!
Passadas duas horas,
Muita água quente, shampoo frio, tesouras, pentes, ganchos e calor
O cabeleireiro, ao fim, deu-me um espelhinho oval
Para as mãos
E disse:
- Tenha a bondade de olhar, Mademoiselle.
E eu tive a bondade; olhei o espelhinho oval
E mais o grande que já tinha em frente.
E falei para o espelhinho oval:
- Boa tarde, Senhora Dona.
Donde é que eu a conheço?
E o cabeleireiro, então, pôs muito fixador
Pf...Pf...Pf...Pf...Pf...
e eu cresci muito naquele dia.
terça-feira, 6 de julho de 2010
À ESCRITORA COM UMA FLOR NO NOME


Matilde Rosa Araújo nasceu a 21 de Junho de 1921, e faleceu hoje, terça-feira, aos 89 anos, em casa, em Lisboa.
Destacou-se por uma vida dedicada aos problemas e aos direitos das crianças, temáticas que se reflectiram na sua obra; abordou a infância em três perspectivas-base: a infância feliz, a infância agredida e a infância como projecto.
Galardoada com o prémio para o melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996, ao livro de poemas "Fadas Verdes", tem obra marcante, também, na literatura para adultos, nomeadamente com contos e poesia.
Os mais de 20 livros para crianças que publicou colocam a tónica na obra para os mais novos, o que lhe valeu, ainda, o Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian, “ex-aequo” com Ricardo Alberty, em 1980; e o prémio para o melhor livro estrangeiro, com "O Palhaço Verde", atribuído pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, em 1991.
Matilde Rosa Araújo recebeu, também, o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em Maio de 2004.
Um texto inédito de Matilde Rosa Araújo, intitulado "Florinda e o Pai Natal", vai ser editado, a título póstumo, em Outubro pela Calendário.
terça-feira, 29 de junho de 2010
LIVROS
"Minha vida era um palco iluminado
Vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões.
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria.
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo.
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
E ,sem dúvida, sobretudo o verso
É o que pode lançar mundos no Mundo."
domingo, 27 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
CHEGOU ASSIM O VERÃO
.jpg)
aprendi que havia dentro de mim
um verão invencível."
Albert Camus
LEVE UM LIVRO PARA FÉRIAS
sábado, 19 de junho de 2010
NO CORAÇÃO, SEMPRE!

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"



