sábado, 9 de janeiro de 2016



DIA DE REIS

O Dia de Reis foi comemorado na biblioteca da Escola da Estação com a leitura de O Cestinho de Romãs, um conto tradicional português adaptado pela escritora Maria Alberta Menéres.
Os alunos do 2º C, da professora Fátima Valente, deram um final diferente a este conto. Seguiram a receita da avó Adelina, confecionaram a Salada de Laranja e Romã e descobriram que é saudável e deliciosa. No final, as opiniões foram unânimes:

Hummm!!! Que delícia!



















segunda-feira, 4 de janeiro de 2016


As personagens literárias desejam um bom ano de 2016.


O Dia Mundial do Braille ocorre a 4 de janeiro

A data de 4 de janeiro assinala o nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de leitura e de escrita Braille, que permite através do toque facilitar a vida das pessoas invisuais e a sua integração na sociedade. Louis Braille ficou cegou aos 3 anos de idade e aos 20 anos conseguiu formar um alfabeto com diferentes combinações de 1 a 6 pontos que se alastrou pelo mundo e que ainda hoje é usado como forma oficial de escrita e de leitura das pessoas cegas.
O Braille é composto por 64 sinais, gravados em papel em relevo. Estes sinais são combinados em duas filas verticais e justapostas, à semelhança de um dominó ao alto.
Em Portugal, destaque-se o papel do Núcleo para o Braille e Meios Complementares de Leitura, no âmbito do Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P, que no Dia Mundial do Braille organiza vários eventos para celebrar a efeméride.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015



PALAVRAS DE QUE EU GOSTO

Família é um mundo de amor que nos ajuda, encoraja nos momentos mais difíceis da nossa vida, que nunca nos desilude, mesmo que nós façamos erros.

Amor é a melhor sensação do universo, que a gente deve sentir. Ninguém pode mentir e dizer que nunca sentiu amor.  

Liberdade é só sentida pelas pessoas que já estiveram presas por alguma razão ou sentimento. Nunca senti isso, mas, se estivesse nessa situação, gostaria que as pessoas me ajudassem .

Viver é ter tudo dentro de nós, quer dizer, toda a gente tem tudo dentro dela. Vou exemplificar: é sentir que os quatro cantos do universo estão em sintonia.

Povo é onde encontramos as pessoas pobres e desprotegidas. Não devemos excluir as pessoas pobres porque elas são nossas amigas.

Amizade é sentir que confiam em nós como se nos víssemos ao espelho pela primeira vez.

Brincar é diversão de infância, risos e gargalhadas, conquistas de novos amigos e reencontro com outros que já conhecemos.

Amigo é saber em quem podemos confiar. Está sempre presente, nos maus e bons momentos da nossa vida.

                                        Daniela Vitória  nº 8 8ºB


                                 



DIA MUNDIAL DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

O Dia Mundial da Declaração Universal dos Direitos Humanos foi comemorado na biblioteca escolar da Escola da Estação com o visionamento de um PowerPoint alusivo ao tema. No final, os alunos do 3º A debateram a questão da defesa dos Direitos do Homem na atualidade, e concluíram que todos podemos contribuir para a defesa dos direitos do humanos, quando:
- Respeitamos as opiniões e ideias dos colegas;
- Aceitamos as diferenças;
- Resolvemos os problemas através das palavras e não da violência;
- Ajudamos as outras pessoas.


LENDA DA MOURA DO CASTELO

Na passada 5ª feira, os alunos do 3º B e C foram ao castelo de Tavira para escutar a Lenda da Moura Encantada, numa atividade de articulação entre as docentes titulares de turma e a biblioteca escolar. Após um breve enquadramento histórico, que permitiu conhecer D. Paio Peres Correia, os alunos tiveram oportunidade de partilhar diferentes versões das lendas de mouras encantadas de Tavira. 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

CONCURSO DE ORTOGRAFIA

Decorreu hoje a 5ª edição do Concurso de Ortografia, onde participaram os representantes selecionados em todas as turmas do 2º ciclo. Depois de uma interessante e renhidíssima  disputa, o nosso aluno mais novo (9 anos), Eduardo Pereira, do 6ºF,  saiu vencedor. PARABÉNS, Dudu! Continua o teu caminho com dedicação, esforço e persistência... que serás sempre o espelho da felicidade. O Eduardo recebeu dois livros, que prometeu ler brevemente para os apresentar aos colegas da turma. 











sexta-feira, 11 de dezembro de 2015



DIA DE NATAL

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exata em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse diretamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.

Ah!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os nossos alunos com Necessidades Educativas Especiais gostam de escrever...




PALAVRAS DE QUE EU GOSTO

Música é a minha vida, pois sem ela a vida não tinha ritmo, não era ninguém. É algo que me faz sentir bem. É aquilo que não me deixa cair.

Família é algo que tenho sempre comigo. É o meu porto de abrigo. É o amor maior que há em mim.

 Amizade é eu saber com quem posso contar e saber que tenho pessoas ao meu lado que não me desiludem.

Conviver é algo que adoro, algo que não me importo de estar a fazer.

O meu pai é alguém que eu sei que está comigo até ao fim, uma das pessoas mais importantes. É alguém que me protege.

Os meus irmãos são aquelas pessoas em quem confio mais. São o meu maior porto de abrigo. Sem eles não era o que sou hoje.

Liberdade é poder voar, poder sair e saber que lá fora há um mundo à minha espera e eu poder ir.

Felicidade é quando algo em mim está bem, quando estou na fase de sorrir o dia todo e saber que tudo está bem.

Povo é uma sociedade com pessoas pobres e outras ricas mas, no fundo, somos todos iguais.

Viver, por vezes, pode ser complicado. Caímos, mas temos que nos levantar porque nunca sabemos se vem algo melhor.

Amor - sem ele ninguém vive. Todos nós sentimos amor, pelos amigos, pelo/a companheiro/a, pela família…

Confiança é algo que às vezes não tenho, mas sei que com ela a minha vida fica mais completa!
     
                                   Realizado por: Beatriz Rodrigues, 8º B, n.º 5




sexta-feira, 27 de novembro de 2015




Regresso à  escola

Nós somos alunos do 4ºC, da escola D.Manuel I, em Tavira.
No dia quinze de setembro viemos à apresentação com os nossos pais. A turma tem alunos novos, mas também  tem menos alunos. Temos uma nova professora, chamada Leonor.
Os primeiros dias foram divertidos e  calmos  porque  fizemos  trabalhos   fáceis e leves,  fizemos o apadrinhamento aos  meninos do 1ºano  e  mostrámos- lhes a escola.
Aprendemos que temos de estudar vários temas  nas disciplinas e  realizámos uma ficha de avaliação  diagnóstica   de português, ouvindo música  relaxante.

 Esperamos que neste ano sejamos amigos e que não rejeitemos ninguém, porque todos temos os mesmos sentimentos e direitos.

Texto coletivo DM4C

18/09/2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015



Dez minutos…uma aula de substituição…empenho…escrever o texto no computador…imaginação e boa educação…eis os ingredientes que fizeram o Pedro Cunha do 7.ºA escrever este delicioso poema.





Ser poeta é ter asas para voar
Não da maneira normal
Como aves brancas como a cal
A voar no pensamento, a imaginar

Ser poeta é sentir amor,
Felicidade, tristeza e dor
Para poemas escrever
E um sorriso ter
Quando chegar a hora de ler

Ser poeta é ser rico
Não em dinheiro
Ser rico em sentimentos
Nem que só se tenha uma moeda
Para comprar uma caixa de lenços

E para acabar
Ser poeta é ser feliz
Pois quem é poeta
Escreve até chegar à meta

A meta da vida
Em que para ela se vai olhar
E vai-se lembrar

Daqueles belos poemas
Que ficou sempre a escrever
E no seu leito
Quando estiver a morrer

Vai sorrir
E deste mundo partir

Pedro Cunha




segunda-feira, 23 de novembro de 2015



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova

quinta-feira, 19 de novembro de 2015



O menino que escrevia versos


Mia Couto


De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?

(VERSOS DO MENINO QUE FAZIA VERSOS)




— Ele escreve versos!
Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha.
— Há antecedentes na família?
— Desculpe doutor?
O médico destrocou-se em tintins. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
— Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.
Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de-mel. Para ele, não fora senão período de rodagem. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol. E oleosas  confissões de amor.
Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejo, a autoria do feito.
— São meus versos, sim.
O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega-refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. O que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto?
Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele que fosse examinado.
— O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica.
Queria tudo. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões e, sobretudo, lhe  espreitassem o nível do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não importava. O que urgia era pôr cobro àquela vergonha familiar.
Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:
— Dói-te alguma coisa?
—Dói-me a vida, doutor.
O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:
— E o que fazes quando te assaltam essas dores?
— O que melhor sei fazer, excelência.
— E o que é?
— É sonhar.
Serafina voltou à carga e desferiu uma chapada na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, porquê? Perto, o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. Mas o moço, voz tímida, foi-se anunciando. Que ele, modéstia apartada, inventara sonhos desses que já nem há, só no antigamente, coisa de bradar à terra. Exemplificaria, para melhor crença. Mas nem chegou a começar. O doutor o interrompeu:
— Não tenho tempo, moço, isto aqui não é nenhuma clinica psiquiátrica.
A mãe, em desespero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista de olhos pelo caderninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na próxima semana. E trouxesse o paciente.

Na semana seguinte, foram os últimos a ser atendidos. O médico, sisudo, taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos? O menino não entendeu.
— Não continuas a escrever?
— Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida — disse, apontando um novo caderninho — quase a meio.
O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente.
— Não temos dinheiro — fungou a mãe entre soluços.
— Não importa — respondeu o doutor.
Que ele mesmo assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica, que o menino seria sujeito a devido tratamento. E assim se procedeu.
Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
— Não pare, meu filho. Continue lendo...


Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955. Foi jornalista e atualmente é professor e biólogo. É sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras, sendo sexto ocupante da cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa. Como biólogo, dirige a Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).